Escrito por: Delacroix

"Imagine um Resident Evil excelente. Pronto, agora 'desimagine' e comece a ler"


Sendo sincero, a única coisa que realmente me interessou em Resident Evil Revelation 2, desde o seu anúncio, foi o retorno de dois dos meus personagens favoritos. Claire Redfield, sem papéis relevantes nos últimos anos, e Barry Burton, até então abandonado no limbo onde, talvez ainda hoje, permaneça um tal de Carlos Oliveira. Eu preciso comentar que minhas últimas experiência com a série foram agridoces: depois de um catastrófico RE6, o prazer nostálgico de RE HD Remaster. Como Revelations 2 foi lançado de forma episódica (um novo capítulo por semana, de 27 de fevereiro a 17 de março) e eu não os acompanhei conforme foram lançados, desta vez farei diferente: dividirei a resenha em dois posts, fazendo primeiramente um apanhado geral sobre o jogo para então, na outra metade, seguir para uma análise mais pormenorizada de cada episódio. A segunda parte contará spoilers sobre a trama (lá, eu também falarei sobre Franz Kafka, o autor homenageado pela Capcom).
Claire: "dá um paço para traz, novinha, porque eu estou chegando".
Para começar, o formato episódico funciona. Apesar de a trama ser apenas boa, é bem amarrada, sobretudo por entender a estrutura na qual está inserida: você não sente que o final de um episódio é simplesmente um corte abrupto na narrativa. Em seus pedaços, a história consegue se autorregular, balanceando o próprio conteúdo, de modo que cada capítulo termina em alguma revelação que só será explicitada no episódio posterior. Seguindo a linha de eventos que veio se moldando depois de RE4, o enredo trata mais uma vez das forças, boas e más, que se enfrentam depois da queda da Umbrella Corporation. Claire e Moira, Barry e Natalia. Os protagonistas estão presos em uma ilha “assombrada” por novas mutações aterradoras. Desta vez, como se descobre logo no início da campanha, sentir medo sequer é uma opção.
Natália consegue "enxergar"inimigos invisíveis. Muito útil. 
Por mais que seja possível notar a boa interação dos produtores para moldar uma atmosfera de medo, é igualmente perceptível o quanto eles fizeram pouco para ter êxito nessa tarefa. Os cenários são, em grande parte, escuros, mas ainda assim pouco intimidadores. O mesmo vale para os inimigos que, embora exigentes de certa furtividade para serem derrotados, não são páreos para o conjunto arsenal x esquiva dos personagens. Curiosamente, no aspecto ambiente, o áudio também participa de maneira rala, sem quaisquer artimanhas que tentam pregar peças nos jogadores (como habitual no gênero). O título não dá medo e se vale pouquíssimo das ferramentas básicas para arquitetar um cenário assustador.
Olhando assim, até parece que é um terror daqueles. É, pena.
Em relação à parte técnica, o jogo funciona sem surpresas. O visual não é ruim (joguei no PS3), mas sequer chega à qualidade apresentada em RE6 (que nem era assim incrível). O modelo dos personagens é bom, no entanto o conceito dos inimigos e dos cenários é absurdamente genérico, sem um pingo de brilhantismo e imaginação. A mecânica, no que toca a relação entre os heróis, é democrática, os quatro personagens desempenham funções diferentes e podem ser alternados com o pressionar de um botão. Neste ponto, as únicas observações relevantes devem ser feitas a Moira Burton e Natalia Korda, que não utilizam armas de fogo: a primeira usa apenas um pé-de-cabra e uma lanterna (que, além do óbvio, serve para cegar inimigos e encontrar objetos), enquanto a segunda, a despeito da igual facilidade de perceber itens escondidos, pode detectar inimigos próximos. Se não são complexas, as diferenças entre cada um dos protagonistas ao menos é justa e bem aproveitada. O mesmo não vale para a inteligência artificial: quando não estão sob posse do jogador, os personagens são verdadeiras portas errantes (às vezes eu realmente tinha a impressão de estar acompanhado por uma das mobílias de casa). De modo geral, o funcionamento do jogo é despretensioso, não há quaisquer inovações. Nem mesmo o sistema de melee e skills, as poucas coisas que realmente funcionaram em RE6, foram reaproveitados (apenas a esquiva, que não deu certo anteriormente, retorna útil e eficaz). Não há nenhuma alteração considerável de mecânica no decorrer de cada novo episódio. Ela até conta com uma árvore de upgrades, o problema é que o sistema de evolução é pouco plural ou dinâmico. Existe duas modalidades online: o tradicional cooperativo e o raid mode, em que o jogador deverá enfrentar (m cenários reciclados de RE6...Ops) hordas e hordas de inimigos. 
Os "afflicted" são os inimigos mais genéricos e sem graça da série. 
A mutação, desta vez, fez com que as vítimas virassem "tudo-que-você-já-viu-no-gênero".
Analisando o todo de Resident Evil Revelations 2, considerando o conteúdo dos quatro episódios, eu diria que ele até tenta. Na verdade, é um bom jogo. Infelizmente, apesar do formato bem aplicado e da trama interessante, é pouco inventivo. Funciona, mas sem a pretensão de ser grande: os gráficos são razoáveis, a mecânica apenas acontece e o terror inexiste. O fato de ser um jogo digital não é desculpa, Revelations 2 não resgata a personalidade da série. Definitivamente, poderia ter sido muito melhor.
"Claire, esse jogo está sendo vendido a um preço justo! E é da Capcom! Da Capcom!"
PS: espantosamente, o preço é justo. Eu comprei capítulo por capítulo (pagando R$ 12,99 por cada um deles). Um episódio dura em média, somado as duas campanhas, 1h30 ~ 2h00.

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  1. Infelizmente e incrivelmente, esse foi um RE da nova geração que me agradou. Não sei o motivo, mas ele, na minha opinião, cumpriu com aquilo que cumpriu. Os cenários da Claire e da Moira são mais "medonhos", e os do Barry e da Natalia são mais voltados para aquele lado de "um zilhão de inimigos". Não sei o porque de eu ter gostado, mas eu gostei ;u;
    Acho que esse esquema da Moira e da Natalia não usarem armas de fogo ficou bem legal, e inclusive eu conseguia enfrentar os inimigos com a Moira muito mais facilmente, já que a esquiva facilita tudo shauhsauhsuahsuash E esse negócio de cores da Natalia também me chamou a atenção.
    Infelizmente, os REs nunca vão voltar a ser o que eram antes, mas pra mim, esse RE foi tudo que o primeiro Revelations foi e que o RE6 não <//3

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  2. Ainda não o joguei, mas queria muito. Sobre essa série, definitivamente não devemos ter expectativas muito grandes sobre ela. A própria Capcom já admitiu que Revelations funcionaria tipo uma sub-franquia, voltada mais para o terror, os dias de glória da saga. Enquanto que os numerados e tudo mais, serão abertos às novas ideias. Sendo assim é normal que o game não seja brilhante, até porque seu orçamento foi consideravelmente mais baixo que o 6, conforme já se pode imaginar. Sua história é bem interessante, o formato de série realmente funciona, e o que talvez mais me chamou a atenção além da minha Claire, foi o fim do jogo. Isso sim algo que poderia ter mais na franquia que se prendeu aos fins clichês "todo mundo feliz para sempre". Muitos são épicos, embora clichês. Agora cê disse que ia falar de kafka e não fez, o que foi chato. Achei o máximo a ideia da Capcom de fazer isso, até porque a obra "A Metamorfose" por exemplo, é incrível. Vai continuar analisando? Por favor!

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