Escrito por: Delacroix
Até o fim de semana retrasado, eu nunca havia terminado o primeiro Resident Evil na minha vida. Pronto, falei. Sinceridade é tudo, e é o mínimo com que poderia me dispor para recompensá-los pela minha ausência aqui do blog. Sim, é claro, eu já havia assistido ao jogo inteiro, vezes e vezes, sacado a trama toda, matado alguns zumbis, pegado algumas chaves, e, eventualmente, fumado algumas ervas. Mas, concluído - controle às mãos do começo ao fim - nunca. É, minha gente, vocês se surpreenderiam com os jogos famosos que sequer comecei, principalmente no primeiro Playstation (veja, se eu mal joguei Playstation, quem dirá Sega Saturno, outro console pelo qual Resident Evil foi originalmente lançado). Sabe aquele tal de FFVII? Ou Parasite Eve? Então... Acontece que alguns de vocês levantarão da cadeira, esbaforidos, dizendo, ou melhor, gritando, “Não há desculpas!”, vocês gritarão, “Resident Evil foi refeito para Game Cube. Um puta remake, visuais de cair o queixo, novas cenas, novos chefes... É impossível que você nunca tenha jogado aquela obra prima, é impossível que você nunca tenha jogado aquela maravilha, visto aquelas cenas, enfrentado aqueles novos inimigos...”, e neste momento, vocês já estarão ofegantes, enfurecidos, simplesmente pasmos. E então eu direi, muito calmamente, olhos nos olhos, os lábios se movendo com a maior vagareza do mundo. Eu direi: “eu nunca sequer encostei em um controle de Game Cube”. Para falar a verdade, é provável que eu ainda diga que pessoas que já tiveram Game Cube simplesmente não existem. Afinal de contas, quem já teve um Game Cube?

Mas vamos ao que interessa.

Remasterizado, Resident Evil reassume sua importância não só como survival horror, mas também como um dos expoentes mais famosos em jogos de videogame. Ainda atraente, prova que a diferença entre os jogos antigos (pré-R4) e os títulos mais recentes da franquia está muito mais ligada à opção de conceito do que a de evolução propriamente dita. A visão por sobre os ombros e a flexibilização da dinâmica de combate, por exemplo, não são necessariamente superiores às mecânicas de câmera fixa e controles “tanques”. Certamente manusear os personagens nos jogos de hoje é uma tarefa muito mais prática, mas praticidade por si só não é qualidade, principalmente se levarmos em conta que o excesso de praticidade foi o responsável em extinguir o suspense pelo qual a franquia tornou-se conhecida. E aqui, claro, nós precisamos ponderar: o que é mais importante para um jogo de suspense, a tensão ou a praticidade da mecânica? Eu sei que a discussão não é assim simples, e é evidente que reconheço todas as melhoras incorporadas à série, mas convenhamos que o formato praticidade-ação dos REs mais recentes deve-se, antes de qualquer coisa, à explosão comercial capitaneada por esse tipo de conteúdo. 
Altos efeitos de iluminação, cara...
De todo modo, a remasterização é de ótima qualidade, sobretudo pelos efeitos de iluminação refinados, que dão, contraditoriamente, vida aos cômodos silenciados e inóspitos (ou que ao menos assim gostaríamos que estivessem todos) da mansão Spencer. Difícil, tático, abarrotado de puzzles e mistérios, RE HD Remaster também conta com uma trilha sonora ótima, que ajuda a potencializar a atmosfera terror. É muito fácil, e agradável, notar o empenho técnico dos desenvolvedores nesse port, algo difícil de encontrar em outras conversões, como em Silent Hill HD, para ficar no gênero, abarrotado de defeitos e alterações controversas. Até pipocam hora ou outra alguns probleminhas, como texturas esticadas ou quedas de framerate, mas nada que consiga prejudicar o ótimo desempenho técnico do jogo. 
Uma história de amor melhor do que...
É complicado encontrar o que falar sobre um jogo que todos já conhecem, tendo ou não jogado até o final (assobio, assobio), mas eu recomendo que aqueles que nunca jogaram ou que já jogaram RE há bastante tampo, comprem e reflitam, enquanto jogam, não só sobre as mudanças introduzidas na série, mas principalmente sobre o que eram jogos de videogame há 10-15 anos e o que eles são hoje. Eu até acho que, de modo geral, essa é a função das remasterizações frequentemente lançadas no mercado, ao menos quando são feitas com capricho e vendidas a preço justo. É o caso. 
Jill, depois de ver sua participação em RE 5.

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  1. Finalmente hein, Delacroix (nome de um pintor talentoso responsável por "A Liberdade guia o povo" sabia?)?! Pensei que teria que acatar as palavras da Morte e achar que você e o Gabriel (que tô ligado que tá por aqui) tinham mesmo morrido! Gostei muito do seu resumo, e também nunca joguei o Remake ou tampouco sua remasterização porque também num tinha gamecube e ainda não consegui botar minhas mãos no remaster, diferente de todos os outros numerados mais o primeiro que foi uma batalha pra jogar, de tão velho que ele é. Tive que fazer coisas que nunca imaginei com nomes que nem sei soletrar! E o lance de "à opção de conceito do que a de evolução propriamente dita" me fez pensar um bocado, até porque longe de evoluir, a franquia simplesmente mudou drasticamente mesmo.

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