Escrito por: Delacroix
Então, gente, como estão vocês? Depois de muitos dias de atraso, finalmente consegui postar algo novo. Pois bem, estava eu jogando, umas semanas atrás, Silent Hill Homecoming (é, me julguem) e aí, no jogo, tem todo aquele negócio envolvendo o irmão caçula do Alex e tals. De repente, enquanto ia eu lá, fazendo as mais loucas acrobacias, cortando tudo que via pela frente e meio que pensando “cara, eu tenho que trocar de jogo...”, me veio uma luz... Não, mentira, não teve luz, mas me ocorreu que seria interessante escrever um artigo falando um pouquinho dessa relação, sempre constante no gênero, entre crianças e o terror. Por que elas são sempre utilizadas em tramas obscuras? Qual será a proposta por trás disso? Eu vou só fazer alguns comentários sobre o assunto...
É, Sherry, quem te viu, quem te vê, hein...
Em um primeiro momento, há aqueles enredos que tentam criar um contraponto entre a pureza, a ingenuidade de uma criança, com as trevas, o mal que encarna sob diferentes formas em obras de terror. Nessas histórias, sobretudo nos jogos de vídeo game, que tendem a usar o horror nipônico como referência, as crianças se transformam no receptáculo de forças malignas, que corrompem sua inocência e as transformam em figuras perigosas, incapazes de sentir outra coisa que não seja o ódio. Corromper um ser puro é a máxima do mal, e não há representação de pureza melhor do que a de uma criança. É claro que, quando eu me refiro a “mal” ou “forças malignas”, apesar de serem o mote para o terror japonês, não me dirijo apenas ao sobrenatural. Estou tratando também de valores, culturais e sociais, que contrapõem o que temos por certo ou permitido. Por exemplo, Alessa Gillespe, os irmãos monstruosos de Clock Tower e Lucius (do game de mesmo nome) se enquadrariam perfeitamente no primeiro caso, o de crianças corrompidas por algum poder sobrenatural. As crianças da “Aristocracia do Giz de Ceira Vermelho” assumem o segundo tom, em que o “maligno” é na verdade o “errado”, aquilo que não é aceito moralmente por grande parte da sociedade (como insinuações de homossexualidade por parte de garotinhas). Como representação do mal, ainda existe espaço para crianças vítimas de experimentos escusos, como as Little Sisters (Bioshock) e a Alma (Fear). 
A maldade de Lucius só não é pior do que os gráficos do jogo. 
Ah, que fofa! Não, pera, o que é aquela coisa de escafandro ali...

É tipo a a Alessa... só que sem o diabo no corpo.
As crianças nessas obras também podem dizer um pouco sobre nós mesmos, sobre como, quando menores, temíamos qualquer ruído no meio da noite ou como passávamos noites em claro depois de ter contato com alguma história assustadora. Elas aparecem simplesmente por representarem fragilidade, por serem indefesas. O medo ganha força ante tudo que é delicado. As crianças, então, podem assumirem-se protagonistas, exatamente por serem fracas, para tornar o jogador limitado; ótimos exemplos estão em Siren, quando controlamos Harumi Yomoda e Tomoko Maeda ou mesmo Resident Evil 2, quando jogamos com Sherry por alguns momentos. Por outro lado, elas também podem ser aquelas que devem ser, a todo custo, protegidas, como uma maneira simbólica de protegermos a quem já fomos um dia: um ser indefeso, fraco e aterrorizado que precisa de um adulto; os exemplos de jogos que trazem isso são vários, mas podemos ficar apenas com Clementine (The Walking Dead da Telltale), Katey (Dead Rising 2) e Amy (Amy) para ilustrar.  

Clementine precisa aprender a sobreviver em um mundo infestado de zumbis.
Katey está infectada. Além de protegê-la, o paizão deve providenciar sucessivas vacinas.
Amy é a protegida de Lana, a protagonista do jogo.
Independente do motivo, boas ou más, as crianças são personagens recorrentes em jogos de terror. Elas podem ser as vilãs, as heroínas, aquelas a serem protegidas. Um reflexo de nós mesmos ou vítimas de arbitrariedades adultas. Endiabradas ou não, criancinhas indefesas fazem parte do universo de jogos de terror.     

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  1. Clementine é mais madura que os adultos na segunda temporada AUSHUASHUAHSUHAUSHUASHU O post ficou bom Dela, parabains

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  2. Ficou maneira a postagem! Só senti falta de você desenvolver os diferentes papeis que uma criança consegue desenvolver, em diferentes jogos : ).
    Abraço!

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    1. Verdade, Fernando. A minha intenção era falar mais sobre cada uma delas, mas demandaria mui tempo. Quem sabe uma próxima?

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  3. É por isso que eu não tenho filhos, criança, principalmente as adotadas (sem maldade gente, é só coisa de filme tá) vem com o diabo no corpo! HIUSHAUISHUI

    Brincadeiras a parte, não gosto de criança, eu ainda acho que elas são más por natureza. Quer dizer, elas não sabem o certo e o errado direito e normalmente são bem ruinzinhas, chutando a gente, sendo egoístas ou querendo encher o saco. Acho que não são piores que os adultos, pq elas não são falsas. hIUSHAUI

    ótimo post Dela o/

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  4. Muito boa postagem mesmo! "Sherry quem te viu, quem te vê" kkkkkkkk

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  5. Adoro jogos de terror! *-* Gostei do post! Vou passar mais vezes por aqui ;)

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  6. Lembrei das crianças em um dos primeiros jogos de terror do PS1,O Resident Evil Survivor,Lott e Lily Klein.
    Só mesmo no videogame,crianças sobreviverem sozinhas por tanto tempo com quanto monstro hehe

    Boa postagem!

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    1. Obrigado! Taí duas crianças que não mencionei kkk

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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