Escrito por: Delacroix

Segunda parte sobre jogos de terror que acontecem em mansões e castelos. Dessa vez, eu vou separar alguns títulos com essa temática e contar um pouco mais sobre os mistérios de cada um deles. Eu queria separar mais jogos (de Maker, por exemplo, há um monte), mas aí o post ia ficar muito, mas muito longo e eu teria que picotá-lo outra vez. Além de que, no fim das contas, o mote, a ideia base, dessas narrativas que acontecem nesses cenários se repete com frequência: experiências que deram errado, rituais e sacrifícios que originaram fantasmas que agora, furiosos, assombram esses lugares.  

Resident Evil - O experimentos de Ozwell Spencer
A mansão, na realidade, funciona como um gigantesco complexo da Umbrella.
George Trevor não fazia ideia do que aguardava não só a ele, mas também sua esposa e filha. Renomado arquiteto, Trevor foi quem idealizou a Mansão Spencer, palco do primeiro Resident Evil e de sua prequel, Resident Evil Zero. Provavelmente o projeto mais ambicioso de sua vida, a mansão que construiu para o magnata Ozwell E. Spencer servia, na verdade, como uma grande faixada para esconder as experiências da pseudo farmacêutica Umbrella Corporation. A residência abrigava equipes de cientistas que se dedicavam à criação de uma arma biológica invencível. Para tanto, eles se valiam de sucessivos experimentos envolvendo uma substância que tinha como base o DNA de um tipo de sanguessuga e vírus Ebola. Era o T(yrant)-Vírus. Mas as coisas não saíram como o planejado: o vírus saiu do controle, transformando todos aqueles que lhe eram expostos em mortos-vivos. Os problemas só aumentaram: não bastasse aqueles que se transformavam em zumbis por terem sido usados de cobaia, todos aqueles que eram mordidos por esses monstros e, posteriormente, todos os que morriam no complexo, transformavam-se em cadáveres reanimados, violentos, condenados a vagar pelos aposentos luxuosos da mansão.  George Trevor foi assassinado por Spencer, sua filha reduzida a um monstro falho, outra vítima de experimentos mal sucedidos. Os horrores da Mansão Spencer nos legaram uma das mais populares franquias de video-games e (nos desculpem todas as vítimas) a isso somos gratos. Os infinitos aposentos e passagens secretas não foram suficientes para ocultar todos os crimes ocorridos na mansão, perdida nos arredores de Raccon City.
Ozwell .E. Spencer, o dono da mansão. Apesar das menções, só foi dar as caras em Resident Evil 5.
"Woa, What's a mansion!" - Whesker, Albert.
A mansão ficou bem mais bonita e assustadora no remake.
Haunting Ground - A busca pela imortalidade
O Castelo pertence à família Belli há séculos.
Brincar com a vida também é um dos motes da trama que envolve Fiona Belli, em Haunting Ground. Nesse caso, a história não acontece em uma mansão, mas sim em um castelo, a residência dos excêntricos Belli. Acontece que a Família Belli é uma família de alquimista. Em seu castelo, eles conduzem experimentos para alcançar a vida eterna. Em suas pesquisas, descobriram como criar vida a partir do nada. O castelo, também cheio de armadilhas e segredos, serve de lar para diversos Homúnculos, crias imperfeitas. Salões amplos, corredores distantes, bibliotecas enormes. Cenários recorrentes na jornada de Fiona. Infelizmente, ela não tem muito tempo para apreciá-los: a garota é perseguida por uma série de lunáticos que vão desde o jardineiro retardado do castelo ao patriarca da família, um alquimista que busca o Azoth, a essência da vida.
 Lorenzo Belli, o pervertido master de Haunting Ground.
Lorenzo Belli, em sua versão rejuvenescida. 

Clock Tower - O pecado dos Barrows
Se eu fosse adotado e meus pais morassem num lugar desses...eu me "desadotaria".

A base de Haunting Ground é Clock Torrer (The first fear), que estreou no fim da década de noventa. A mansão, Clock Tower, pertence à família Barrows, que se rendeu ao culto do “Grande Pai”, entidade que viria amaldiçoá-los. Jennifer Simpson, a protagonista, é uma órfã que foi supostamente adotada, junto com outras garotas, por Simon e Mary Barrows.  Quando as garotas chegam à mansão do casal, descobrem que a história é outra. Na verdade, elas foram adotadas para serem usadas como sacrifícios para restaurar a humanidade dos filhos de Mary, duas aberrações que não podem abandonar o lar. Bobby e Dan, as crianças medonhas, são frutos de uma série rituais envolvendo os Barrows que remonta à Idade Média, com Theodore Barrows, o grande patriarca da família. Theodore temia a morte e, para buscar sua imortalidade, pactuou com o Grande Pai: em troca da vida eterna, sacrificaria criancinhas inocentes ao deus. Desde então, os Barrows concedem filhos amaldiçoados que tem como propósito perpetuar a carnificina de Theodore. 
Mary Barrows, a vilã, aprisionou o próprio marido. 
Scissorman, o Bobby Barrowns, uma das crianças-demônio.
Dan Barrowns. A mãe tão bonita... Mesmo assim...

Rule of Roses - O "Jardim das Rosas" e a "Aristocracia do Giz de Cera Vermelho"
"Everlasting. True Love. I am yours. (Eterno. Verdadeiro amor. Eu sou sua.)"
Jennifers não têm sorte em jogos de terror. Principalmente se elas forem órfãs. Em Rule of Roses, a história acontece em uma mansão que serve como um orfanato. Lá, quem faz as regras são as próprias crianças, organizadas em uma espécie de seita que atende por "Aristocratas do Giz de Cera Vermelho". O grupo possui suas regras e hierarquia: seus membros recebem títulos nobiliárquicos, tais quais Princesa, Duquesa, Condessa, Baronesa. Apesar de a trama acontecer também em um zappelin (aqueles dirigíveis voadores), é no orfanato que ela atinge todos os seus tons. Os acontecimentos que permeiam os quartos e corredores da mansão são fortes e polêmicos.  Crianças foram abusadas, garotas se apaixonaram por garotas (eu disse polêmico, não estou fazendo juízo de valores),pessoas foram assassinadas. E a protagonista, a Jennifer, fez parte de tudo isso, ainda que não se recorde. Foi ela quem quebrou a promessa. Aos interessados, dois links: http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2009/08/historia-de-rule-of-rose.html e também esse outro http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2010/04/misterios-de-rule-of-rose.html.
Hoffman, professor e proprietário do orfanato, mas...

...Essa é Wendy, a Princesa, e, como eu disse, não são os adultos que mandam em Red Garden.
Red Clayon Aristocracts.
Amnesia: The Dark Descent - A extração do medo
O Castelo onde se passa Amnesia.
Em Amnesia: The Dark Descent exploramos o castelo do Barão Brennenburg, uma residência enorme assombrada por pesadelos. A verdade é que Alexander Brennenburg, o barão, não é humano, mas sim uma entidade de outro plano que tortura pessoas com intuito de extrair seus Vitae, substância mística extraída do medo. A substância também é capaz de prolongar a vida, motivo pelo qual Alexander vive há séculos. Mas o objetivo dele é outro: ele quer voltar para seu mundo. É aí que entra Daniel, seu hóspede e protagonista. Daniel é um arqueólogo que encontrou um misterioso objeto em ruínas da Argélia. Ele trouxe o item em sua mala, de volta para Londres. Acontece que o artefato, identificado como Orb, é peça essencial para o êxito de Alexander. A trama toda acontece dentro do castelo, os monstros que o habitam são servos de Brennenburg que perseguem Daniel.  
O barão prussiano, Alexander Brennenburg,é  na verdade uma entidade extra dimensional.
Um dos servos de Alexander.

Casleviania - O castelo amaldiçoado 
O Castlevania em sua versão do Lords of Shadow: Mirror of Fate.
Castlevania dispensa apresentações. Mas eu não vou falar muito sobre os castelos da franquia porque, apesar de ter o terror como base, as aventuras dos Belmonts não ingressam o survival-horror. A base de Castlevania é Bram Stoker (para quem não sabe, o livro autor é parte do cânone da série), a primeira e mais famosa versão do Conde Dracula. No decorrer da série, percorremos diversas versões do Castelo, que sempre retorna das cinzas, povoado pelas mais terríveis criaturas do nosso imaginário: vampiros, múmias, zumbis, lobisomens, fantasmas e até mesmo demônios da Goétia (grimoria de Salomão), como Bauer e Amduscias. Apesar de ser um dos jogos da franquia mais detestado, e de que vocês irão me crucificar por causa disso, eu vou fazer uma menção especial ao Castlevania 64. Para quem jogou, há uma parte do jogo que acontece em uma mansão. E ela não só é muito boa (sim, eu amo esse jogo) como também consegue ser meio assustadora. Tanto com o Reinhard quanto com a Carrie, os protagonistas desse capítulo, o jogador terá que se embrenhar no labiríntico jardim dessa mansão, enquanto é perseguido por um jardineiro Frankestein e dois cachorros-gárgula. Essa parte é meio tensa e, por incrível que pareça, perturbadora.  
Dracula ou Vlad III, o Empalador, em sua versão Order of Ecclesia.
Por mais que todos detestem, Castlevania 64 possui uma parte tensa em uma mansão assombrada.
Odeio admitir, mas eu tinha medo dessa parte.


Koudelka - Ritual de magia negra, o Manuscrito dos Exilados
Nemeton, um monastério que serviu de palco para uma série de rituais.
Nemeton é uma enorme mansão que serve como monastério. Na verdade, a residência foi construída como uma prisão para torturar e executar hereges. Posteriormente, o lugar foi comprado por um sujeito chamado Patrick Heywoth que viveu na mansão com sua esposa, Elaine. Até que ela fosse assassinada por ladrões que invadiram a casa enquanto ele estava ora. A vida de Patrick nunca foi a mesma desde então. Desesperado, incapaz de superar a morte da esposa, ele conheceu um homem (um estranho misterioso) que lhe ofertou uma solução: um livro, o Émigre Manuscript (Manuscrito dos Exilados), capaz de trazer Elaine de volta à vida. O problema é que sempre há custos, e eles são elevados: o ritual exigia sacrifícios. Patrick e seu empregado, Odgen, começaram com animais. O sangue deles era depositado em um altar construído em um cômodo subterrâneo. Só que o sangue de animais era muito pouco. Então vieram as mulheres.  Odgen e seu mestre as traziam de Londres. Com o tempo, qualquer um que pudesse ser atraído para a mansão tornava-se vítima. Patrick não conseguiu ressuscitar a amada, em vez disso trouxe à vida uma aberração sem alma, uma monstruosidade que em nada lembrava a esposa. E esse não foi o único crime de Patrick: o ódio e rancor de todos aqueles que foram sacrificados nunca mais abandonaram o lugar. Na verdade, não era o sangue a substância essencial para que o ritual tivesse êxito, mas sim a energia maligna, os sentimentos ruins, emanados pelas vítimas, antes de elas morrerem. Nemeton continuou assombrado por vários e vários anos. Mesmo depois de sua destruição, ao final do jogo, descobrimos em sua continuação, Shadow Hearts (lançado para PS2, o melhor RPG que existe!), que o rancor dos mortos ainda está embrenhado nas ruínas da mansão.
Patrick Heywoth praticou magia negra para tentar ressuscitar a esposa.
Elaine, depois de retornar da morte.

Fatal Frame - "O Ritual do Estrangulamento"
A Mansão Himuro. "Baseada em fatos reais".
Eu não vou falar muito sobre as assombrações da mansão Himuro, cenário da franquia Fatal Frame. Há muito conteúdo aqui no blog. Aos interessados, deem uma checada nesse link http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2010/12/mansao-himuro.html e nesse também: http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2014/04/especial-fatal-frame.htmlEm Fatal Frame, somos assombrados pelas vítimas de um massacre ocorrido anos antes dos eventos principais da trama. A chacina aconteceu depois que o líder do clã Himura enlouqueceu, incapaz de selar todo o carma (Malice) e então trancar a porta para o mundo dos mortos por meio de um rito milenar, o Ritual do Estrangulamento.  O legal da mansão Himura é que estamos falando de um ambiente oriental, japonês, então a estrutura, a disposição de cômodos e arquitetura é diferente daquela que costumamos encontrar em jogos do gênero. Uma observação interessante é que Malice, a energia ruim que deve ser selada, é o mesmo nome da energia negativa produzida por Patrick em Koudelka.
O Líder do Clã Himuro. Com certeza o ex-dono da casa.
Participe do nosso  ritual, eles disseram. Não vai doer nada, eles disseram. 
Bem, gente, é isso. Eu tenho certeza de que ficaram um montão de jogos com essa temática de fora. Que eu deixei de falar de outras mansões e castelos assustadores, também decorados com rituais e outras tramas macabras, mas, por hora, é só.  Até o próximo post!  

Gostou? Compartilhe:

  1. Nhááááá, Haunting Ground e Fatal Frame <3
    Confesso que HG podia ter sido melhor se a última parte do game não tivesse sido tão loucona. Uma hora você tava se cagando de medo daquela empregada do capeta, na outra você tava rindo daquele velho que mesmo se arrastando era mais rápido que o Sonic e depois você ficava completamente confuso com os puzzles das portas coloridas e aquela última batalha @_@
    Mesmo assim é um jogo bão <3
    Nunca tinha ouvido falar de Kouldeka, é bom?
    O post tá perfeito, parabains :3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu! Então, cara, Koudelka é bem legal. Seu sucessor espiritual, Shadow Hearts, é ainda melhor!
      PS: a parte final do Haunting é meio WTF mesmo, mas é legal =)

      Excluir

ÚLTIMAS NOTÍCIAS!