Escrito por: Delacroix

Você já deveria saber... A verdade está na torre.


Então, gente, como estão? Hoje eu vou recomendar mais um jogo antigo, daqueles bem bizarros, mas que infelizmente foi (e continua sendo) pouco apreciado.  Sabe, essa semana eu comecei a ler uma série de livros muito boa, e muito famosa, chamada A Torre Negra, do escritor Stephen King. Talvez vocês conheçam, eu imagino que pelo menos alguns de vocês saibam, com certeza, do que se trata. Mas aí, enquanto lia, comecei a me lembrar de um jogo que, apesar de ser conceitualmente diferente (bem diferente), também tem como propósito uma torre. É um jogo pouco conhecido, lançado originalmente para Saturno e Playstation (no fim da década de noventa), mas que calhou de receber uma nova roupagem para Nintendo Wii e Playstation 2 (todas as versões foram desenvolvidas pela Sting Entertainment; eu escreverei sobre as duas últimas). 
O menos legal é o protagonista. Adivinhe qual é. Dica: ele não tem asas.
"A trama acontece em um mundo pós-apocalíptico, devastado por um fenômeno conhecido apenas por Blaze".

Para quem não conhece, o termo Barroco (Baroque, no inglês) diz respeito a uma tendência artística que ganhou força no século dezesseis, em um momento da história ocidental em que a Igreja Católica reafirmava seu poder, dando ares à Contra Reforma (movimento de repressão e punição às doutrinas tidas como hereges, sobretudo ao crescimento protestante). Mas eu não vou ficar falando sobre história, muito menos sobre história da arte. O que a gente precisa saber é que a palavra “barroco” é sinônimo também de “incomum”, “estranho”, “esquisito”. E essas palavras dizem tudo sobre Baroque. A trama acontece em um mundo pós-apocalíptico, devastado por um fenômeno conhecido apenas por Blaze. O céu tornou-se vermelho, o mundo reduzido a infinitos desertos e ruínas. Seus habitantes, convertidos em seus próprios pecados, monstruosidades hostis chamadas Meta-Beings. Não se sabe como ou o porquê, mas Blaze distorceu toda a realidade que até então se conhecia, condenando seus sobreviventes a seguir em frente, e apenas seguir. A resposta e salvação para tudo e todos, segundo descobrimos nos primeiros instantes da trama, está confinada em uma imensa torre, um monumento sombrio e perigoso. A Neuro Tower. É claro, a jornada pela tal salvação da humanidade fica a cargo do protagonista. Aqui, um garoto mudo, sem nome e que sofre de amnésia. (O protagonista mais amado por desenvolvedores: economiza história, dinheiro para dublagem e caracteres nos textos). O dever dele  é se embrenhar nas profundezas da torre, custe o que custar. Afinal, ele é um dos responsáveis pelo que o mundo se tornou. Salvar o mundo é se redimir dos seus pecados.  
Os humanos viraram esses monstros. Os equips que você encontra alteram o design do personagem.
Personagens e cenários sombrios são os atores de uma das histórias mais intrigantes (...) da geração passada.
Da esquerda para direita: Alice, Protagonista e Eliza.
Protagonista

Como eu já disse, o personagem principal da trama não tem nome nem fala e nem memória. Fácil assim. Ele desperta no mundo caótico do jogo com a missão de salvá-lo. Para tanto, munido de um rile (Angelic Rifler) cujas balas servem para purificar Meta Beings, ele parte para se aventurar na Neuro Tower. Por algum motivo, tem a impressão de que já se destinou à tal tarefa várias outras vezes, principalmente quando se depara com alguns estranhos residentes da torre, Alice e Elisa, que parecem conhecê-lo (a primeira para detestá-lo, a segunda, temê-lo). 

Alice e Eliza

Duas personagens que vagam pela torre. O propósito delas, ou o porque de residirem em ambiente tão sombrio e hostil, é incerto. Contudo, são peças fundamentais para que Protagonista cumpra sua missão. Não há muito a falar sobre elas, então eu vou continuar escrevendo para conseguir preencher ao menos umas três linhas. Mas, então, é só isso. 
Archangel: personagem misterioso/badass da parada, todo jogo japonês tem um.
O Arcanjo (Archangel)

Líder da Ordem de Malkuth, a religião que outrora residia nos confins da Neuro Tower, é o responsável em advertir  Protagonista sobre sua missão e os perigos que precisará confrontar. Também é quem  lhe entrega o Angelic Rifle. O jogador só descobrirá suas verdadeiras intenções ao final do jogo. 
O Cenário onde a trama acontece.  Sinistra, essa torre.
Neuro Tower

A torre é um cenário tanto quanto é um personagem importantíssimo para os eventos da trama. É mais do que o lugar em que tudo acontece. Na torre estão confinados os Meta Beings, as criaturas nas quais os seres humanos foram transformados. Colossal, perigosa e perturbadora, era a cede da Ordem de Malkuth  e, ao que parece, o epicentro do problema a qual o mundo foi condenado. Dizem que a Torre foi palco de experimentos, e que os Wings, os Falsos Anjos que governavam o lugar, promoveram experimentos que envolveu algo muito maior do que poderiam compreender. O próprio Deus Absoluto. 

Meta Beings

São os inimigos do jogo. Já foram humanos. O Blaze fez com que as pessoas se rendessem a seus próprios delírios e ilusões, os Baroques, fato que distorceu-as física e psicologicamente. Os Meta Beings são seres incomunicáveis, altamente perigosos.   

Então, a trama é muito bacana. É confusa, e cabe ao jogador juntar as migalhas. Religião, anjos, mundo caótico, salvação, redenção. Esses são alguns dos principais elementos que povoam a narrativa. Personagens e cenários sombrios são os atores de uma das histórias mais intrigantes (que ninguém jogou; é, repito mesmo) da geração passada. Se eu pudesse, inclusive, escreveria somente a respeito do enredo, porque (coff coff) é o único ponto em que o jogo realmente brilha (e apenas aos mais pacientes).   
Na torre, sua barra de stamina vai caindo. Se ela zerar, é seu HP  quem começa a pagar o pato.
"Assim que adentramos a torre, há duas opções: ou alcançamos seu âmago ou morremos."

Ideias boas não são suficientes para fazer um ótimo jogo. Em Baroque, praticamente tudo acontece dentro da torre. Nossa missão é explorar, confrontar inimigos (purificá-los), adquirir experiência e equipamentos, subir de nível, coletar itens e encontrar a saída daquele andar. Para então alcançarmos outro, e então repetir tudo de novo. Infinitas vezes. Assim que adentramos a torre, há duas opções: ou alcançamos seu âmago ou morremos. É, morrer faz parte da coisa. Você não só vai morrer porque o jogo é difícil (os inimigos são poderosos, enquanto o combate é truncado, repetitivo e limitado), como baterá as botas porque será a única maneira de progredir. Novos diálogos e personagens estarão à disposição quando você voltar à vida. No entanto, se prepare: apenas alguns itens podem ser salvos. Toda vez que o personagem morre, seus status são zerados. É frustrante, mas faz parte da estratégia. É um título que progride e te estimula de maneira pouco convencional. Ah, e os andares da torre sempre mudam, não importa quantas vezes você morra. Estranho? Baroque é tipo isso. Em relação à parte audiovisual não há nada grande: os gráficos são mais ou menos (sabe?). Interessa apenas o conceito de personagens e cenários, tudo muito denso e perturbado. Quanto ao áudio, ele funciona bem no mundo em que é inserido.
Ah, tá! Essa arma, esse rifle, nas costas dele serve para purificar os Meta Beings.
Certo, eu poderia não recomendar Baroque. Poderia. Mas a história é realmente cheia de coisas interessantes e, apesar de apática, a mecânica traz boas ideias para serem experimentadas. Para quem ainda está com seu PS2 e Wii, ou tem acesso a um, vale a pena dar uma olhada. É uma obra bem sinistra, de terror, repleta de referências ao Survival Horror.
  



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  1. É nessas horas que eu dou graças por ter meu Wii <3
    O jogo parece interessante, acho que vou tentar. Ah, e Dela, se os andares da torre mudam toda vez que você morre, algumas coisas mudam e o status é zerado, o gênero do jogo é Roguelike (apesar de esse não ter cara de um .q)

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