Escrito por: Delacroix

Pois bem, gente, segunda parte do post sobre O terror espacial. Se você ainda não viu, dê um click no link http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2014/08/o-terror-espacial-parte-1.html. Como havia dito, desta vez contarei um pouco mais sobre os elementos que caracterizam o gênero. O terror espacial, em qualquer que seja a mídia, possui muito em comum. Cenários claustrofóbicos, criaturas medonhas, tripulações em apuros... Eu vou começar pelos ambientes.

Essas obras costumam acontecer em imensas naves ou estações espaciais e em planetas inóspitos. Os motivos que nos levam a cantos tão remotos do universo são diversos, no entanto, essas histórias costumam partir de uma mesma premissa: a exploração e ocupação, em algum momento futuro da civilização humana, do espaço. Isso também acontece por diferentes razões, a principal delas está relacionada à exaustão dos recursos naturais do nosso planeta, como acontece em Dead Space. Na franquia da EA, a raça humana encontrou subsistência na extração de minerais em luas e planetas distantes. É, basicamente, o que nos conta a primeira aventura da franquia, em que somos levados à colossal USG Ishimura, nave de mineração que descobriu algo que não deveria no desolado Aegis VII. No cinema, por exemplo, essa é a premissa de Alien, o motivo que leva a nave Nostromo a Thedus, planeta em que a tripulação terá seu primeiro contato com um Xenomorph. Paul W.S Anderson, o cara por trás das (terríveis) adaptações de Resident Evil, além de ser o diretor do filme Enigma do Horizonte, fez outro sci-fi de terror chamado Pandorum. Talvez não seja a mais dignas das citações (apesar de eu gostar do filme), mas é, novamente, uma obra que se vale dessa premissa. De todo modo, a escassez de recursos vitais para a sobrevivência humana não é o único motivo que nos leva à exploração espacial. A curiosidade, a procura por outras formas de vida e a busca por nossas próprias origens, como no filme Prometheus, servem como desculpas para nos levar às estrelas.
Curiosamente, grande parte dessas obras são protagonizadas (ou co-protagonizadas) por mulheres.
Prometheus, prólogo da série Alien.
Em Echo Night Beyond, jogo de terror da From Software, lançado para Playstation 2, controlamos Richard Osmond na busca por sua esposa, em uma estação espacial. Acontece que Richard e Claudia haviam acabado de se casar, estavam indo curtir a lua-de-mel (pasmem) na lua. O problema é que acidentes sempre acontecem. Felizmente, há sempre uma estação espacial deserta, sombria e cheia de fantasmas para fazer com que fiquemos menos apreensivos.
Ir curtir a lua-de-mel no espaço não é para qualquer um.
Mike Dawnson não é menos azarado. Depois de alienígenas implantarem um aparelho no seu cérebro, começa a ter alucinações. Em Dark Seed, no entanto, a viagem espacial é diferente: Mike descobre um portal que o leva à dimensão dos Ancients, os tais aliens. O jogo é bem antigo, mas para quem quiser saber mais, dê uma lida nesse review da Morte: http://videogamesdeath.blogspot.com.br/2012/10/dark-seed.html
É, Mike, esse lugar é horrível mesmo.
Como eu disse, essas obras costumam acontecer dentro de instalações espaciais e planetas (que deveriam ser) inabitáveis. Normalmente, somos levados a labirínticos e claustrofóbicos corredores de metal ou a terras áridas e poeirentas. A coisa piora quanto, em vez do ambiente desértico, somos transportados a planetas árticos, congelados, como Tau Volantis, cenário do terceiro Dead Space.
Corredores estreitos e escuros, como eu os detesto. 
Cenários árticos são recorrentes em sci-fis por conta de Nas Montanhas da Loucura, de H.P Lovecraft.
Ambientes isolados dão charme ao terror espacial: não importa o que aconteça, a ajuda está a anos-luz de distância. Não adianta gritar, a única coisa a fazer, em muitos casos, é sucumbir ao desespero. Particularmente, adoro explorar naves espaciais. Elas são amplas, embora seus corredores sejam apertados. Mais uma vez, é impossível não mencionar a USG Ishimura de Dead Space. Não há nada mais assustador do que criaturas medonhas se arrastando por dutos de ventilação. As paredes rabiscadas e sujas de sangue. Os sussurros que parecem vir de lugar nenhum.  
Em cenários como a USG Ishimura, você precisa ficar atento a qualquer ruído.
Não há dúvidas de que a melhor (e pior) coisa do terror espacial são os alienígenas. Os monstros espaciais costumam ser coisas muito bonitas, coisas tão fofas quanto um gato (esses animaizinhos asquerosos, chutaria todos eles!). Ou um panda. Tá, exagerei, talvez os aliens não sejam assim tão nojentos. Os Xenomorphs foram os grandes precursores do panteão de alienígenas medonhos que se multiplicou desde então. Ou essas aberrações estão em algum canto do espaço, adormecidas, esperando para serem despertas por algum idiota...
A curiosidade quase matou a arqueóloga Elizabeth Shaw.
Ou elas são fruto de alguma epidemia que afeta uma tripulação azarada (aquela do protagonista, que você certamente faria parte, se fosse o caso) e passa a transformar todos, um a um, em coisas bizarras.
E se seus amigos se transformarem em monstros, não espere que eles respeitem a hora do banho.
Ou de repente, talvez, a história seja sobre um mando de sortudos cujos superiores, fanáticos religiosos, em uma colônia de Marte, decidam abrir... os portões do inferno!!! (Risada macabra). É, esse tipo de coisa acontece. Para bem ou para mal, nesse caso, em vez de ser vítima de alguma doença, de ser transformado em hospedeiro para algum parasita alienígena, fulano é possuído por demônios. Esse tipo de coisa também acontece e se chama acidente de trabalho.  
Na verdade, esses caras só querem que seus direitos trabalhistas sejam atendidos.
Quanto aos monstros, não bastassem os Xenomorphs das adaptações de Alien, temos os Necromorphs, que partem de uma combinação de DNA registrada em um artefato alienígena misterioso; temos humanos que sofrem mutações e lavagem cerebral causados por uma inteligência artificial maligna, como acontece em System Shock; ou aliens milenares que munidos de armas high-tech e munição infinita abduzem índios (é, vai rindo...).  Claro, sem contar os demônios-espaciais marombeiros de Doom. A verdade é que há de tudo, lá em cima: alienígenas, demônios, fantasmas, vampiros (assista Força Sinistra, com Patrick Stewart) e, Cristo, eu nem vou falar sobre os dinossauros de Dino Crisis 3. Não vou. Os inimigos desses jogos de terror são serious business, muito mais ameaçadores e nojentos do que assombrações e outros espíritos malignos terrenos. Eu imagino que o motivo por trás disso deva ser pela possibilidade de esses monstros, os mutantes alienígenas, se tornarem reais. Pode parecer besteira, mas não vamos esquecer de que estamos tratando de obras de ficção científica. A maior graça desse tipo de história é justamente a brincadeira que elas propõem, de nos fazer pensar coisas como “será que isso é ou pode um dia ser possível?”.
Fisiculturista from hell with machine gun. 
Dino Crisis 3 se passa no espaço. Pois é, gente. Pois é...
Mas os monstros não são a única ameaça nessas obras. Seitas religiosas, ainda que com base na ciência, são capazes de disseminar seus dogmas para além das estrelas. Isso acontece em Doom 3, mas em Dead Space, a projeção de um grupo assim é muito maior. A religião Unitology atribui propriedades sagradas aos monólitos alienígenas responsáveis pelas aberrações que Clarke encontra pelo caminho. Os Markers (referência clara à 2001: Uma Odisseia no Espaço), como são chamados esses objetos, tratam-se na verdade de fragmentos de uma lua gigantesca. A máxima desses lunáticos é fazer com que todos os marker, assim como todos aqueles que foram “tocados” pelo artefato (viraram monstros), entrem em convergência. Ou seja, se transformem em um único ser, uma nova e ainda mais desproporcional lua alienígena. A situação não é melhor quando parte do discurso desses fanáticos é, digamos, verdadeira. Se em Dead Space, os unitologistas acreditam que os tais markers são responsáveis pela origem dos seres humanos, em Prey descobrimos que a vida humana é sim obra de uma civilização alienígena ancestral. E o propósito por trás da nossa existência é muito simples: somos refeição de extraterrestres. Fomos criados apenas para nos multiplicarmos, no decorrer dos séculos, para então sermos “colhidos” e devorados por nossos criadores. A prova de que viver pode realmente ser um saco. Essa ideia de sermos frutos de uma raça superior, de fora do nosso planeta, é um dos discursos mais interessantes da ficção científica. 
Nessas obras, fé e ciência, paradoxalmente, se tornam algo só.
Como muita desgraça é sempre pouco, vale lembrar que tripulações espaciais também estão vulneráveis à loucura, a serem comandadas por babacas e a terem um traidor infiltrado no grupo, a mando do governo, em caso de estarem fazendo alguma coisa errada (ouviu, Kendra Daniels?). Não podemos nos esquecer que qualquer tripulação espacial que se preze carrega consigo as armas mais legais da galáxia, trajes futurísticos e, não menos importe, ao menos um médico e um engenheiro, em caso de algo sair errado. Ah! e em hipótese alguma esses médicos ou qualquer cientista são confiáveis.   
Banho de sangue em 5,4,3
Como eles respiram em um planeta alienígena? Se eles não se importam, porque nos importaríamos?
Tripulação também é sinônimo de bando de gente chata que vai  entrar em discussão, cedo ou tarde.
É claro que o gênero não se resume apenas às obras e elementos que mencionei. No mundo dos jogos, infelizmente, a quantidade de jogos desse estilo é pequena. Apesar de alguns ótimos representantes, é pouco expressiva. Precisamos de mais jogos assim! De qualquer forma, é isso. Não esqueçam de comentar, de escrever sobre os títulos que eu deveria ter falado, mas não falei. Se você conhece mais jogos do gênero, registre aí embaixo. Do contrário, eu vou te trancar numa nave cheia de aliens feios. Pior:  vou te jogar em um lugar cheio de gatinhos (essas coisinhas imundas e saltitantes!). 

Gostou? Compartilhe:

  1. Cara, parabéns, você não deixou nada de fora, citando e recomendando o que há de melhor nesse gênero :O, agora tenho uma lista de filmes que preciso assistir.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu, Fernando. Pra falar a verdade, até eu encontrei um monte coisa pra assistir e jogar kkkk

      Excluir
  2. Eu gosto de gatinhos e acredito que eles são filhos da Lua, pois conseguem ver o mundo sobrenatural. Gatos são nossos familiares e devemos cuidar bem deles, pq um dia, o mundo será dominado por eles, gatos, uma raça alienígena que vive entre nós!

    HIUSAHISUHAIUSHIU

    Nossa, muito bom esses textos, eu, particularmente, nem gosto muito da temática espacial, mas pessoas mais antigas - como meu pai - adora esse tipo de filme/série/livro. Não é a toa que ele tem coleções de guerras nas estrelas, startrek, jornada nas estrelas, perdidos no espaço, guerra dos mundos, predador e o que mais tiver de espaço dos anos 50 à 90 :v

    Eu raramente gosto de algo relacionada à isso, salve o Dark Seed, Echo Night e Dead Space! HIUSHAIshahsiuhui
    Ainda prefiro o terror sobrenatural (fantasmas) que me dá muito mais medo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Credo, detesto gatos =)

      Eu sempre tive muito, mas muito, medo desse tipo de história. Porque, sério, eu acho que a chance de monstros alienígenas existirem é muito grande kkkkkk

      Excluir
  3. Delacroix, nunca fui muito de comentar aqui no blog. Passei pra dizer apenas que amo seus posts. Sério.
    Você possui um talento incrível de escrever bem com humor, e eu valorizo e aprecio isso. Continue assim o/

    ResponderExcluir

ÚLTIMAS NOTÍCIAS!