Escrito por: Delacroix

No lugar de Homecoming, o jogo poderia ter sido chamado de Silent Hill Tsc Tsc


Digamos que exista um manual, uma cartilha, que ensine não só como se fazer um excelente Silent Hill, mas também um grande jogo de terror, daqueles bem assustadores. Pronto. Agora imagine o contrário de um manual desses. Para que ninguém se iluda com o conteúdo da resenha: Silent Hill Homecoming é uma porcaria. Assim, na lata. No pronto, falei. O jogo foi lançado em 2008 (PC, PS3 e Xbox360), pela Double-Helix, empresa responsável por alguns jogos que vão, em sua maioria, do ruim ao razoável. Homecoming está entre esses dois polos.

O design das nurses, assim como muita coisa no jogo, veio direto do filme de 2006.
O título foi claramente concebido por indivíduos que não faziam ideia do que tinham em mãos. Se vale de comparação, digamos que Silent Hill Origins, que já falei a respeito, se enquadre no esquema “ocidentais emulando, reproduzindo o terror oriental”. Acontece aqui o contrário: temos desenvolvedores ocidentais moldando um jogo inteiro segundo preceitos e referências – as piores delas – do próprio ocidente. Não parece sequer ter existido a intenção de entender e absorver conceitos característicos que fizeram, e fazem, Silent Hill ser o que é: uma obra que se vale – e muito – do terror produzido neste lado do hemisfério, mas que, ainda assim, é pautada no horror nipônico, preservando todos os seus traços. Na verdade, para que nenhuma injustiça seja cometida, talvez haja, muito bobamente (bobamente?), um tiquinho do terror de lá concentrado na figura de um dos personagens, que serve como um “guia” na jornada do protagonista. Não vou entrar em detalhes para não soltar nenhum spoiler. Pois bem, a introdução de Homecoming até interessa: Alex Sheperd, soldado americano, retorna à sua cidade natal, Sheperd’ Glenn (uma vizinha de Silent Hill), após um mal pressentimento. Ele sente que algo ruim acometeu seu irmão caçula. Fato: ao chegar em casa, encontra sua mãe à beira da loucura, seu irmão desapareceu e seu pai partiu, sabe-se lá com qual destino, para tentar encontrá-lo. O problema é ainda pior: dezenas de moradores também desapareceram sem deixar rastro, ao passo que um misterioso nevoeiro envolveu toda a cidade. Sabemos quais tipos de monstruosidades ele esconde. Se essa prévia te deixou um pouquinho que seja entusiasmado (porque não é de toda má), fique sabendo que o desenrolar e o desfecho disso tudo são simplesmente estúpidos. A narrativa nem mesmo é mediana: eventos importantes são previsíveis e, os personagens, quanto mais aparecem, pior deixam a situação. Sério, o elenco aqui é tão profundo quanto um prato. Alex, por exemplo, é o típico protagonista de filmes-bobocas de terror norte-americano. Ao fim do jogo, no maior discurso metafísico, você vai se ver perguntando o porquê da existência de indivíduos como Wheeler e Curtis, sujeitos que, não faltasse a personalidade de colchão que possuem, não servem pra absolutamente nada, em momento algum. Minto: Curtis é responsável, ao menos, por um dos mais vergonhosos momentos de toda a franquia. Eu nem vou mencionar o fato de o Pyramid Head estar no jogo. Não vou. Foi um parágrafo longo, uma pausa para respirar. Respira. Pronto, continuemos... 

Esse cadáver será seu companheiro durante todo o jogo, seja legal com ele.
Pyramid Head é tipo um daqueles atores que faz um filme foda, de Oscar, depois só bosta.
A atmosfera é fraca. A proposta de terror bebe de clichês de filmes genéricos de terror, como o excesso de sangue e da violência explícita (fatores desprovidos de profundidade, sem significação alguma, diferente do que caracterizou a série), sustos baratos e mais um monte de referências (visuais, sobretudo) à adaptação cinematográfica de 2006, vide toda a concepção do “mundo macabro”. Falando nele, o Otherworld não só é reciclado, como também é feio, detentor de um tom laranja-avermelhado que incomoda o tempo inteiro. É um jogo que não dá medo. Os inimigos até tentam, mas, depois que o jogador aprende a lidar com cada um deles (o que não demora), se tornam meros obstáculos de cenário.
Na dúvida, faça que nem Robbie the Rabbit, fique na banheira o dia todo, em vez de jogar Homecoming.
Nosso amigo cadáver, sempre meio-morto (Arrá!), cochilando no banheiro.
Muita gente aponta a flexibilidade do combate como um ponto negativo, alegando que Silent Hill sempre se tratou de pessoas indefesas que... Apesar do protagonista ser quase um ninja, um protótipo de Leon .S. Kennedy, eu considero a mecânica de confronto um dos menores males de Homecoming. Por mais que pareça desolada para os padrões da série, a briga contra os inimigos é a (única?) parte divertida do jogo. Se o terror é ruim, não é porque o protagonista dá cambalhotas e piruetas. É possível aliar combate versátil, personagem bem preparado, e terror. Dead Space e Doom 3, embora sejam de políticas bem diferentes, são bons exemplos. Armas brancas, como facas e machados, dão a impressão de prioridade, em detrimento das armas de fogo (quase escassas, em quantidade e munição). Com efeito, os equipamentos cortantes são majoritariamente mais úteis. Poucas são as situações em que o jogador será incentivado a ir na bala (apenas em chefes). Existem problemas no quesito: comparado a seus antecessores (excetuando The Room), tudo é bem linear. O progresso é pontuado, com poucos caminhos a serem seguidos. Em sua maioria, os puzzles são bem fáceis de resolver.
Alex possui até golpes carregados. Repara só em como as Nurses piram. 
O combate contra bosses é bacana, apesar de o cara esmagado no chão provavelmente não concordar. 
Tecnicamente, sobressaem-se os problemas. O visual é decente na concepção dos cenários e no esquema de iluminação, mas pobre em relação ao design de personagens e às texturas, muitas borradas e repetidas (você vai se deparar com um mesmo cadáver cortado ao meio pelo menos um trilhão de vezes +1 no decorrer da campanha). A trilha sonora é fantástica e só Akira Yamaoka (e a Sra. Mary Elizabeth Mcglynn) para me fazer usar tal adjetivo neste review. As composições são muito boas e continuam de arranhar o cérebro. Apesar disso, há, e repetidas vezes, problemas com a sincronia do áudio.
Alex e Elle, um daqueles casais que é tudo, menos legal.
Silent Hill Homecoming é fraco. Eu até acho ele divertido, quanto à mecânica, e a trilha sonora é ótima, mas só. A trama é simplória, cheia de idiotices e genialidades ao contrário. O conjunto técnico não impressiona e a trama (sim, de novo) é tosca. O jogo desliza quanto às principais virtudes da série, cometendo um monte de atrocidades. Não recomendo aos fãs da franquia. É difícil recomendá-lo também aos amantes de jogos de terror. Veja o filme do Pelé. 
Não, não pode ser. Será? Nawnwnw, amigo cadáver, você por aqui!  

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  1. Homecoming é o único SH que eu fiz questão de não jogar (mas também pq na época eu não tinha PS3/Xbox360).
    Talvez um dia eu jogue - se eu joguei o origins, porque não?

    Bela review Delacroix! Continue assim o///

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    1. Valeu =)
      Então, mas o Origins ainda é muito melhor que o Homecoming. SHH é a maior inhaca.

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    2. Discordo quando tu caga no homecoming.. o jogo pode ter furos e falhas mas já jogou esse jogo em 3D com óculos especiais?
      Ele possui uma profundidade absurda e uma ambientação sinistra! em tri-dimensões dá pra ver até as veias dos monstros, nota-se que os chefões são enormes e muito nojentos,etc.

      O homecoming pode ser um SH mediano mas é um jogo decente em vista dos 90% dos jogos de horror.

      Eu penso que o homecoming possui muitas falhas igual todo jogo tem, mas existe muita "panelinha" na tentativa de deixar o jogo péssimo sendo que não é péssimo.

      Todo SH é bom mas os 3 primeiros são a essência da série sem duvida! todo SH deve ser jogado sem levar em consideração a trilogia. Vlw

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  2. To jogando esse Silent Hill, é o primeiro da série que eu realmente aprofundei a jogar, e digo, até agora me apresentou muito mais MUITO medo, a trilha sonora é fantástica é realmente de arrrepiar, ( recomendo um bom headset) estou jogando no modo hard, e posso dizer que o jogo trás muita dificuldades nos combates, tem situações que morro umas 10x pra pegar um jeito pra passar, até agora o jogo tá valendo a pena, único ponto fraco que eu cito é o enredo, tô achando meio fraco, personagens sem nexo algum, e a áudio atrasado. É isso, o jogo vale a pena, joguem no hard creio que.irá trazer mais desafio e deixar o jogo mais interessante.

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    1. A próxima vez que eu jogá-lo eu irei de Hard então =)

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  3. Todo jogo da franquia Silent Hill são legais . o que eu mais achei mt dahora foi Silent Hill - Shattered Memories

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  4. todo mundo critica o homecoming mais na minha opiniao ele e excelente a unica coisa ruim do game e a jogabilidade o clima de terror e bom sim cidade nevoada,locais escuros,dificuldade elevada,monstro medonhos principalmente a scarlity a boneca.historia tipica de silent hill. muitos dizem que o 3 e o melhor mas aquilo foi uma tentativa lamentavel de continuar o primeiro titulo da saga. muito forçado!se o homecoming e ruim entao joga o downpour que alem de pssimo enrredo tem missoes secundarias.que atrapalham o progresso no jogo.(serio vc ta num lugar que ta todo mundo tentando te matar vc vai fugir ou fazer missoes secundarias?) o downpour que e e vergonha de silent hill. o silent hill 4 the room comparado ao downpour e epico.

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