Escrito por: Delacroix

Era uma vez... Doolin


Então, a verdade é que Folklore não chega a ser exatamente um Survival-horror. Eu vou escrever sobre ele porque, apesar de já ser meio antiguinho, é um jogo que deve agradar àqueles que curtiram as versões de Alice idealizadas por American McGee. Folklore foi lançado exclusivamente para Playstation 3, em 2007, pela Game Republic e, apesar dos deslizes, é um jogo com teor artístico muito bom, um verdadeiro conto de fadas adulto e sombrio.

Ellen e Keats, a dupla de protagonistas.
A trama acontece em Doolin, um vilarejo irlandês. Embora nem mesmo seus habitantes acreditem, rola por lá uma lenda segundo a qual é possível, de algum modo, aos vivos se comunicarem com os mortos. São dois os protagonistas. Ellen, uma adolescente que recebe uma carta de sua mãe, que está morta, pedindo para que ela encontre-a em Doolin (“In my restless dreams...” Ops). E por Keats, editor de uma revista sobre ocultismo, que é afinal levado ao tal vilarejo depois de receber um misterioso pedido de socorro vindo de lá. A narrativa foca os esforços de ambos, a princípio, tentando descobrir o motivo pelo qual foram chamados. Não demora muito, no entanto, até que se vejam envolvidos em uma série de assassinatos ligados ao próprio mundo dos mortos, o Netherworld. A narrativa de Folklore é seu maior atrativo, densa, com personagens carismáticos e conceitos bem elaborados, sempre ricos e criativos.

Se os gráficos não impressionavam naquela época, hoje menos ainda. Apesar disso, o trabalho artístico ainda salta aos olhos, com cenários repletos de vida e beleza. Ironicamente, enquanto Doolin é morta e desbotada, o mundo dos mortos é um verdadeiro arco-íris. É notável o contraste entre os dois. Vários reinos compreendem o Netherworld. Em cada um deles, ambientes completamente diferentes do anterior. O reino das fadas, por exemplo, é repleto de flores coloridas e simboliza, de acordo com a história, a expectativa que os vivos têm sobre o paraíso. Por outro lado, Warcadia, outro reino, é um verdadeiro inferno, coberto por chamas, preenchido por um vermelho que estampa até os céus, um reflexo claro da guerra que lá ocorre, a visão que o homem moderno tem sobre o mundo dos mortos. Os Folks, as criaturas que habitam essas camadas do Netherworld, são igualmente bonitos e criativos. A variedade é considerável mesmo com a repetição de um ou outro modelo. Os personagens também são bem moldados, os visuais dos protagonistas, sobretudo os de Ellen (graças às Cloaks, roupas mágicas), também são bem interessante. Mesmo que a trilha sonora seja excelente, fica o puxão de orelha pelas cutscenes em formato de histórias em quadrinhos, muito frequentes, mas que não são dubladas.
Os Folks, além do visual bacana, possuem significados diferentes.
Existem Folks para tudo: usar para ataque, lançar projéteis e até para se defender.
Quanto à mecânica, Folklore mescla aventura com uma pitadinha de RPG. Os Folks funcionam mais ou menos como pokémons, que podem ser capturados e usados a seu favor depois de enfraquecidos. É legal usar o SIXAXIS (alguém ainda sabe o que é isso?) para aprisioná-los - talvez o único jogo que tenha usado o recurso integralmente. Todos os seus ataques são baseados nos Folks que você tem disponível. É possível evolui-los (um sistema que carece de complexidade), além de que alguns são fundamentais para o seu progresso no jogo, como para combater determinado chefe, por exemplo. O maior problema do título é que, por mais que você possa escolher, no início de cada capítulo, com qual dos protagonistas deseja jogar, para concluir Folklore, você obrigatoriamente terá que revisitar os mesmos cenários com Ellen e Keats. Isso é muito, mas muito chato, mesmo que existam Folks e habilidades exclusivas para cada um deles. De modo geral, a mecânica reserva um dos pontos mais altos e também o mais baixo de toda a campanha.
O SIXASIX é usado para puxar o ID (a alma) dos Folks.
As roupas de Ellen garantem efeitos diferentes quando utilizadas.
Não tenho muito o que falar. Folklore é muito bonito, do ponto de vista conceitual. Como já disse, não é propriamente um Survival-Horror. Até aí, receio que Alice também não o seja. Faço a recomendação por conta da similaridade entre a concepção dos dois jogos, duas obras que se constroem mesclando fantasia com o obscuro.
A trama é realmente muito boa. Vale a pena!

Gostou? Compartilhe:

  1. Eu sempre quis jogar Folklore, eu bati o olho nele desde que eu ganhei um PS3 lá em meados de 2009.
    Mas eu nunca acho pra comprar e quando acho estou sem dinheiro. :c
    Um dia eu jogue talvez, adorei a demo, ela mostra um pouco sobre o jogo, mas deixa a gente com vontade de "quero mais".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu consegui comprar meu PS3 junto com ele. Mó feliz =)

      Excluir

ÚLTIMAS NOTÍCIAS!