Escrito por: Delacroix

Num lugar qualquer chamado Hanuda...

Imagine um vilarejo perdido em algum ponto das regiões montanhosas do Japão. Uma aldeia pobre, onde seus habitantes sobrevivem do pouco que produzem. Seus terraços de arrozais tentam, em vão, imprimir um pouco de beleza à miséria que permeia o lugar.  Seus moradores, sempre reclusos, visitam o mundo exterior de forma esporádica, sempre pontual. Mas, espere, ainda não há nada de errado aí. Apenas continue imaginando: conceda agora que seus habitantes sejam fanáticos religiosos (é, estamos finalmente chegando a algum lugar) e imagine também um ritual. Pronto, agora pare e tente se lembrar de quantas vezes um ritual em um jogo de terror terminou em algo bom. É, chegamos onde queríamos (ou não). Esse é o ponto de partida dos eventos de Hanuda, cenário em que ocorre toda a trama de Siren, lançado em meados de 2003 para o insuperável PS2 (sim, eu disse insuperável).


É difícil recomendar Siren hoje: o jogo foi lançado há mais de dez anos. A tecnologia (que já não tinha nada de incrível na época), por exemplo, está mais do que ultrapassada. O mesmo acontece com os controles (novamente, que mereciam ressalvas naquele tempo) que certamente incomodarão qualquer um que se arrisque a jogá-lo atualmente. Mas, sério, por que recomendar Siren? Dois motivos: primeiro, foi idealizado por Keichiro Toyama, o japonês perturbado por trás de Silent Hill (o que é muita coisa); segundo, porque Siren é um dos melhores jogos de terror já lançados (o que é, tipo, muita coisa + 1; sério, serve pro currículo da vida). Siren é da época em que jogos de terror eram jogos de terror (é, houve tal época), em que eles não tinham receio de te assustar e que, portanto, o comércio de fraudas lucrava horrores.



A atmosfera é impecável. Durante o dia, Hanuda é tomada por um nevoeiro que tenta esconder as imperfeições gráficas do título, assim como em Silent Hill que te permite enxergar apenas alguns passos à frente. À noite, como é de se esperar, a coisa piora: a escuridão é total e é preciso cautela para não atrair a atenção dos inimigos, os Shibitos, ao manejar sua lanterna. A trilha sonora também casa perfeitamente com a ambientação, o maior frio na espinha.


É um jogo que preza pelo stealth (a surdina, o famoso ninguém-me-viu-e-que-continue-assim), você controla pessoas indefesas que precisam se esconder, andar na pontinha dos pés. É insensato partir para cima dos inimigos (os “pafts!”, as baixarias, os famosos socos-na-cara, você deixa pra Resident Evil). Um dos pontos altos de Siren é, sem dúvidas, a possibilidade de enxergar pelos olhos dos inimigos. Dessa forma, sabendo o eles veem, você tem ao menos uma ideia de onde estão, o que permite com que você bole estratégias para passar despercebido.  É muito legal, aliás, “encarnar” num Shibito, eles ficam falando meio que umas macabrices, dá o maior medo.


Eu realmente recomendo Siren. Eu sei que o Siren: Blood Curse, que é quase um remake, é muito mais “adequado” para os parâmetros de hoje, apesar de ele já ter bem uns seis anos. Acontece que o Siren de PS2 é o original. É uma relíquia. Aproveite que ele está na PSN, baratinho. Vale a pena jogar.

PS: “macabrices” não está no dicionário, porque o dicionário ainda tem muito a aprender.




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  1. Ah, Siren <3
    Conheci esse jogo quando eu tinha 6 anos. Estava num site de emuladores e cliquei sem querer num link que levava ao download dele. Li a sinopse, e como desde pequeno eu já gostava de jogos de terror, procurei sobre ele no Google. Lembro até hoje de ler a página da Wikipédia inteira e não conseguir dormir a noite. No dia seguinte eu procurei vídeos e imagens, e meu medo só piorou </3
    Mesmo assim, era um jogo que eu tinha vontade de jogar. Adorava essa ideia de "você é indefeso, os shibitos não. Run bitch run", e como na época eu estava vidrado no Clock Tower de SNES, minha paixão por Siren só aumentou. E então lançou o remake, que mudou umas coisinhas, e eu tive a oportunidade de jogar (bem pouquinho, mas joguei), e cara, foi um dos melhores jogos que eu joguei em toda a minha vida *-*
    Parabéns pelo post, ficou muito bom :3 Abraços o/

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    1. Siren é realmente muito bom. Eu lembro que, quando joguei, minha casa estava em reforma. A TV estava no quintal dos fundos (ninguém assistia nada, nem tinha lugar pra se acomodar). Conectei meu PS2 e joguei lá mesmo. A sensação que tenho é que meu medo triplicou.

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  2. [Joguei esse jogo algumas vezes mas nunca consegui terminar. Eu realmente morria de medo dele, mas a história prosseguia de uma forma que eu era obrigado a voltar em um capítulo e fazer algo diferente para então poder continuar. E também havia algumas partes que eu morria tantas vezes que eu até perdia o medo e passava a ter uma frustração gritante (porque eu grito quando fico irritadíssimo)]

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    1. Fred, super normal nesse jogo. Tinha vezes que eu ficava super irritada (pq eu não sou uma pessoa muito paciente) e saia correndo que nem louca no meio dos Shibitos. Às vezes dava certo :c
      Mas acho que esse é o jogo stealth mais difícil que eu joguei. Me dá pânico e raiva ao mesmo tempo. HIUSHAIUHSUIHASIUHI

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