Escrito por: Delacroix

Corre, Fiona, corre!


Haunting Ground foi lançado pela Capcom, em 2005, para Playstation 2. O jogo segue os moldes de Eternal Darkness (jogo de Gamecube que ninguém jogou, porque, me diga, quem teve um Gamecube?) e Clock Tower. Temos uma “barra” de sanidade e uma garota indefesa que precisa fugir e se esconder de seus inimigos. Eu adoro Haunting Ground.

Você verá Fiona nessa mesma posição umas centenas de vezes. Plus, no japão, o jogo se chama Demento.

Fiona Belli está confusa. Acordou (em três ângulos diferentes) enjaulada, depois de um terrível pesadelo. Acordou em um porão, o corpo envolto apenas em um pedaço de pano. Ainda atônita, é assustada por um cachorro, pastor alemão albino que virá a se tornar seu único companheiro. Fiona está confinada em um enorme castelo e não faz ideia do que está acontecendo. O jogo começa assim, jogador e personagem, ambos perdidos. As descobertas de Fiona serão também suas. Os dois partilharão os mesmos receios e, evidentemente, confrontarão as mesmas ameaças. A trama de Haunting Ground pode não ser robusta, mas é boa. Desvendar os mistérios que assombram a jornada da garota é interessante e cheia de bons momentos.  

Seja caridoso com Hewie e ele será mais útil.
Mesmo com a ajuda de Hewie, o pastor alemão, a protagonista é sempre frágil e indefesa (e, hey, um puta sex symbol!). Descobrir uma mancha de sangue na parede, por exemplo, é o suficiente para deixá-la perturbada. De verdade: esse tipo de contato e a proximidade de adversários podem leva-la à loucura. Confie em mim, você não vai querer controlar uma adolescente paranoica por aí: manusear a personagem se torna difícil, Fiona torna-se desengonçada, tropeçando e esbarrando em tudo que encontra pela frente. A ideia funciona e traz certo desafio ao jogo. A interação entre ela e o cachorro é boa, útil, mas nem sempre prática. Às vezes, Hewie simplesmente não responde aos comandos que lhe são dados

Deus, ele está... ele está abaixando as... 
Se por um lado Fiona é cheia do “não-me-toque”, seus inimigos, não. No decorrer do título, a protagonista será perseguida por um punhado de freaks pervertidos. Um jardineiro retardado, uma cozinheira obcecada por sua beleza (e lésbica?), um encapuzado de sandálias que se acha o foda (e ginecologista?) e outros dois, talvez piores. Cada um com motivações e manias diferentes. O primeiro deles, por exemplo, é Debilitas, o tal jardineiro (retardado) do castelo. A verdade é que Debilitas é um fofo, puro amor, só que grandalhão, burro, e com o gênio da Felícia, do Looney Tunes: ele só quer uma boneca para “brincar, amar, acariciar e apertar”. Nosso objetivo é impedir que isso aconteça. A despeito de seu abraço ser capaz de triturar todos os ossos de alguém, Fiona Belli, sendo a loira (e patricinha) que é, nunca deixaria que um babacão desses a tocasse. 

Há, inclusive, certo erotismo em todo o desdobrar de Haunting Ground. Começando com o apelo sexual da personagem, suas roupas curtas e justas, a câmera que sempre encontra posições oportunas, e partindo para, por exemplo, os gemidos reproduzidos durante a tela escura de game-over. É perturbador perceber que existe certo apetite sexual por parte dos inimigos em relação a Fiona. Mesmo Debilitas, o ingênuo idiota, é responsável por um ou outro gesto obsceno sempre que se depara com ela. Há várias situações no jogo que deixam prováveis intenções sexuais muito claras.

Fiona, cuidado! O que ela quer de verdade é... Adivinhem o que ela quer? Eu disse pra adivinhar! 

Fiona é indefesa. Hewie é quem faz o que deve ser feito.
A aparição dos inimigos é aleatória, o que mantém o jogador sempre atento, preocupado. É meio desesperador ter de encontrar, às pressas, algum lugar para se esconder para então despistar os perseguidores de Fiona. Aliás, ela também é capaz de sintetizar, em pontos e com objetos específicos, itens para intimidar seus oponentes. Para falar a verdade, esse sistema de síntese ajuda, mas adiciona pouco à estrutura do jogo, é incapaz de deixá-lo mais complexo. Por outro lado, há uma quantidade considerável de puzzles bacanas a serem resolvidos. 

Tecnicamente, não há do que reclamar: os controles são bons e de fácil manuseio (a não ser que você deixe Fiona pirar na batatinha; mas é temporário). Haunting Ground é muito bonito, principalmente quanto ao visual dos personagens e construção de cenários; apenas é possível notar, no quesito, certa falta de detalhe em determinados objetos, quando nos aproximamos. O som mantém sempre o suspense; é particularmente interessante quando, à proximidade do inimigo, a música simplesmente acaba, permeia-se o silêncio, então escutamos passos e de repente, ao surgir da ameaça, eclode uma música de urgência.

Haunting Ground é um jogo muito bom. A trama, apesar de não ser grandiosa, interessa. A parte audiovisual é excelente e, mesmo alguns probleminhas com a mecânicas, não são capazes de tirar qualquer mérito do título.  Definitivamente, recomendo. 
"Olha, Hewie. Quem é? Conhece? Disfarça, parece que está olhando pra nós".


Gostou? Compartilhe:

  1. Haunting Ground <3 A Capcom devia fazer mais jogos assim cara. Esse jogo é perfeito em vários quesitos *-* A única coisa que estranhei foram as duas últimas áreas do jogo. De castelo para mansão indiana (?) e templo doido :P Tirando isso, é um jogo muito bom :3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem contar que até o Akuma do Street Fighter aparece lá pro finalzinho.

      Excluir
  2. Pois é, o Haunting Ground é todo focado nessa parte sexual. A Daniella não é lésbica, pobre coitada. HSUAIHSUIASHUI
    Ela só queria ser uma mulher normal igual a Fiona, por isso ela tem essa obsessão por ela! (e aquela cena da pegada no útero, foi uó)! HIUSHAUISHAUI

    ResponderExcluir
  3. Esse jogo é muito bom, tem uma história interessante, personagens marcantes e únicos, um alto nível de dificuldade e é realmente lindo, visual e graficamente falando. Mas faltou empenho por parte da Capcom em construir um enredo mais pesado e bem feito, com situações que deixassem o jogador desconfortável e apreensivo. Fora a falta de detalhes e informações, que deixam tudo muito vago, às vezes. Mas é realmente um game muito bacana, zerei várias vezes.

    ResponderExcluir

ÚLTIMAS NOTÍCIAS!