Escrito por: Fernanda Turesso

Sacrifice é um jogo que nem todo mundo gosta. Acreditem, ele é bem difícil de agradar. Mas, volte e meia ele pega alguns adoradores eternos para sustentá-lo. 

Eu conheci Sacrifice de um jeito bastante inusitado. 
Meu pai gostava muito de comprar jogos baratinhos que ficavam na entrada dos super mercados ou aqueles que vinham junto com a revista CD Expert. Há, bons tempos aquele. Então, eu recebia vários jogos muito bons, tais como Tomb Raider, Outcast, Redneck Rampage e vários outros jogos antigos que eu adoro muito. E numa dessas compras rotineiras meu pai encontrou o Sacrifice. Não sei o que deu na cabeça dele de comprar esse jogo... Ele é bastante difícil para crianças jogarem (na época eu tinha uns 10 anos), mas ele foi bastante aceito por mim.

Prólogo

No começo havia o Criador. Onde havia apenas o nada e o frio, ali estava O Criador que deu assim sua carne, pois dele era a responsabilidade de todo o nascimento. Onde tudo era apenas trevas, o Criador abriu os seus braços e formou uma luz, assim, também nasceram as estrelas, a lua e o sol. Assim era onde havia o nada, até que o silencio e a solidão fizeram com que o Criador derramasse seu próprio sangue, causando assim o começo de toda a vida.

Esta vida se manifestou em uma multidão de formas, desde o beemonte antigo de Thryhring até o nosso próprio povo, os Fyllid. Nesses tempos eramos nós os guardiões escolhidos do Criador, a menor das bestas e defensores de todo o reino. Nós servimos ao criador em nosso papel de servos, e os primeiros de nós eram talentosos no uso do poder. O poder para criar e para moldar o mundo, mesmo as feras, até mesmo a Terra, as árvores e a essência intocável dos elementos foi concedida as pessoas como nós. Nós crescemos precipitados com o poder com que fomos presenteados e alguns de nós viramos a nossa face do presente ao Criador. E nos tornamos corruptos, usamos essa dadiva para experimentos proibidos e nossos propósitos maliciosos.




 Foi então que o mesmo, o Caído, cujo o nome não deve sequer ser pronunciado por ninguém. Ele feriu e profanou a terra chamada de Golgotha. Desafiando as mesmas leis da natureza, o Caído abriu um portal permanente deste mundo para os reinos demoníacos dos planos inferiores. Os Fyllid e toda a criação assistiram em um atordoado o benevolente Criador digladiando-se com os demônios de níveis inferiores, mas as forças do inferno provaram ser muito poderosas, até mesmo para Ele. Uma lamentação de angústia indizível rompeu o silêncio e ecoou nas mentes dos filhos dele, de como o Criador foi banido para sempre deste plano de existência. Nenhum dos filhos dele ouviu o grito tão ruidosamente como os Fyllid, no final das contas era um de nós que havia traído e assassinado nosso Mestre. A maioria dos que ficaram furiosos se lançaram de uma das ilhas flutuantes recentemente formadas ou sentou-se inutilmente, tagarelando de forma incoerente e gemendo.

Durante um certo tempo nós, os Fyllid, vagamos por estes novos reinos em busca de sinais de nosso Mestre. O que foi descoberto anteriormente eram os despojos de pesadelos. As terras começaram a se deformar e mudanças ocorreram repentinamente, a mesma terra estava se modificando. A casa do reino dos Fyllid, conhecida como Elisium, ainda crescia verde e luxuriante, com aparência enganosa para dar boas-vindas para nós, até mesmo depois da horrível traição contra o Criador. Também ocorreram mudanças em outras terras, os locais mais altos de Empyria cresceram frios e desolados, a luxuriante terra de Helios, se tornou desolada e explodiu com magma quente e líquido, enquanto Glebe, árido, cresceu mais rochoso e até mesmo mais terrível e estéril. A maior parte de tudo eram terras arruinadas na posição de Dys, ou em qualquer local perto das terras de Golgotha. Nestes locais cultivaram-se apenas pestilência e terras apodrecidas.

Cinco novos deuses apareceram no lugar do Criador. Dos cinco somente nossa Lady Persephone nos aceitou. Seriamos gratos se qualquer Deus aceita-se nossa reverência para com eles, mas desde então nós servimos respeitosamente a nossa Senhora Persephone. Nós sempre estamos de guarda contra os inimigos de nossa Lady. Nós sempre estamos vigilantes, porque, somente os Fyllid, sabem intimamente o preço do fracasso.


Athelas -


Um pouco sobre o jogo...

Sacrifice é um jogo de estratégia em tempo real. Ele foi publicado pela Interplay Entertainment em 2000 para Windows 98. Desenvolvido pela Shiny Entertainment, o jogo apresenta elementos de ação, terror e outros gêneros. Sacrifice foi muito bem aceito e impressionou à muitos revisores com seus gráficos, ele foi o primeiro jogo comercial a fazer pleno uso de placas de vídeo gráficas que podiam processar instruções de TCL (transform, clipping and lighting). O jogo também ganhou uma versão para Mac OS 9.2 em 2001. 


Sacrifice foi criado por uma pequena equipe de desenvolvedores. A maior parte do trabalho foi feito por quatro pessoas. O motor gráfico que o jogo usa, o tessellation, onde milhares de polígonos são usados para exibir um objeto e como menores detalhes são necessários, o número de polígonos é reduzido. Ao ajustar o nível necessário, Sacrifice pode ser executado em várias máquinas com a maior qualidade possível de gráficos.

"Um mundo de mana e almas sacrificadas à sua disposição"

Sacrifice é um jogo bastante incomum, como eu já havia dito no começo. É também um dos mais bonitos do ano de 2000. Apesar de ele parecer bastante complicado no começo, principalmente para pessoas que não estão acostumadas, o jogo é de uma estratégia em tempo real bastante simples, cujas as batalhas de campo podem ter uma tendência a se transformarem em impasses de longa duração. 

Sacrifice, como diz o próprio manual, é um jogo com personalidade. O jogador irá controlar um mago chamado Eldred, que opta por representar os membros individuais de um panteão de deuses. Estes cinco deuses não são apenas a central para o enredo e os cenários, mas eles são fundamentais para a jogabilidade em si. Cada deus lhe concede seu respectivo arsenal de feitiços, que podem ser usados para invocar criaturas, inimigos de ataque e muitos outros estilos. 


Para invocar criaturas, seu assistente precisa de almas e para conjurar qualquer magia, o assistente precisa de mana. Almas e mana são recursos no jogo. O jogador começa com certo excedente de almas, mas podendo de alguma forma ficar próximo das fontes de mana, que estão espalhadas por todo o lugar.



Em Sacrifice, magos não são os únicos seres que possuem poderes mágicos ou habilidades. Em geral as criaturas sob o seu comando tem um pouco das artes místicas ou talentos escondidos em suas mangas. A habilidade especial deles pode ser notada facilmente porque revelará sua barra de mana quando clicar na criatura. Todas as habilidades especiais exigem mana para se usar.

Mana é achado em abundância ao longo das terras de proliferação de Sacrifice. Esta energia mágica surgiu quando a terra se rasgou depois da queda do Criador. Lembre-se que aquelas fontes de mana são profundamente avaliadas, esperando para você possuí-las. Mana é a fonte exclusiva de poder aos feiticeiros e deve ser administrada efetivamente se você espera ser um triunfante em suas conquistas.

o Mana pode se encontrado em diversas fontes como Altares, que servem também como base para recuperação lenta. As fontes de mana são enormes visuras que borbulham energia mágica diretamente na atmosfera. Ela pode ser usada por todos e recarrega moderadamente. 
Os Santuários podem ser construídos por feiticeiros acima do nível 3. Eles são feitos em cima de fontes de mana. Eles servem como um posto avançado onde os Sac-doctors podem purificar as almas mais rapidamente.


Os Manaliths são estruturas erguidas por feiticeiros que desejam reivindicar de uma fonte de mana para uso próprio. Os inimigos não podem usar a mana de seu Manalith, mas podem destruí-lo. Já os Manahoars são criaturinhas que foram projetadas pelos deuses para ajudar os feiticeiros em suas jornadas, funcionando como uma pequena fonte de mana portátil. 




Sacrifice basicamente será o jogador escolhendo estrategicamente onde posicionar seus aliados e defensores. As criaturas não podem ser invocadas infinitamente, pois há um limite para o mana e almas - principalmente. O jogador terá que proteger suas bases erguidas - para a proteção do mana - e também terá de proteger à si dos inimigos. Para isso será muito importante a administração de criaturas de ataque e defesa para sua vitória. 


Os objetivos de Sacrifice são evocar aliados para poder se apossar da base inimiga. Para fazer isso, o jogador terá de correr em direção ao altar inimigo e sacrificar uma de suas criaturas lá, assim profanando o santuário deles e derrotando completamente o adversário. Jogar Sacrifice leva um tempo para se acostumar, mas as mecânicas são realmente complicadas, principalmente se o jogador não souber o que está fazendo.  

"Um lindo mundo espera por você... Ou seria, bizarro?"

Além de toda essa jogatina estranha e complicada, Sacrifice também é um jogo inegavelmente lindo. Desde o fantástico terreno de cores vivas, com criaturas bizarras pelos efeitos da magia, tudo é muito lindo nesse mundo. O jogador vai perceber pequenos detalhes, como flores peculiares que crescem nas planícies verdejantes da posse da deusa da vida, Perséfone, ou até as terríveis moscas e insetos que voam pelas terras pestilecentes do deus da morte, Charnel. O jogo é todo em terceira pessoa e nisso o jogador pode dar um zoom para ver melhor os detalhes maravilhoso desse país mágico. 

Além de todas as paisagens e do desing belíssimo do jogo, cada criatura criada tem seus detalhes a serem observados. Cada um deles tem um som característico. Alguns deles realmente falam, enquanto outros se limitam a ruídos - mas em ambos os casos, as criaturas em Sacrifice tendem a soar tão bizarras quanto parecem. Sem contar seu assistente chamado Zyzyx, uma pequena coruja falante e que tem uma voz única. Ele é tipo um conselheiro, onde irá te dar dicas, avisar sobre perigos e ensinar algumas coisas. Outras peculiaridades são as palavras mágicas que Eldred irá dizer enquanto invoca criaturas ou ergue templos. Eles são bem esquisitas e parecem que nunca são ditas da mesma forma duas vezes. 



Em particular, há um monte de falas durante as campanhas do jogo, como entre cada missão, o jogador irá ouvir os deuses brigando entre si. Estes diálogos são muitas vezes engraçados, e no final todos acabam gostando das personalidades dos deuses por causa da grande atuação de voz que eles carregam. Para vocês tem uma noção, um dos deuses foi dublado por nada mais, nada menos que Tim Curry!

Em Sacrifice temos quatro deuses e cada um possuindo suas terras. Independente de qual deles o jogador servir, o jogo faz essencialmente a mesma coisa. O jogador controla seu assistente em movimentos rápidos em terceira pessoas, utilizando uma combinação de mouse e teclado que vai se familiarizando com o tempo. Além de se mover rapidamente em campo de batalha, recolhendo almas e evitando ataques, o jogador também precisa lançar seus vários feitiços para ter sucesso. Podendo lançar magias usando os botões na tela, mas uma vez que estes podem estar ao seu alcance, no calor da batalha, é melhor memorizar as teclas de atalho que correspondem com suas várias habilidades. Além disso, é bom sempre organizar muito bem seu grupo antes de sair atacando quem estiver pela frente, pois o jogador irá morrer muito facilmente se não souber o que está fazendo. 



Eu não sou uma jogadora exima de RTS, mas, acredito que a terceira pessoa aplicada em Sacrifice não tenha sido de todo bem adaptada para o estilo do jogo, por que o jogador realmente não vai ver direito o que está fazendo ou o que vem pela frente. Não é que nem os jogos que são vistos de cima - como os MOBAs, por exemplo -. Mas uma dica que é muito boa, é o jogador sempre confiar no mini-mapa no canto inferior da tela. Lá aparecem os inimigos, aliados, templos e outras coisas. Assim o jogador pode dar comandos diretamente dali. 

Felizmente, há maneiras diferentes de se jogar Sacrifice, e muitos deles permitem que o jogador evite elementos frustrantes no combate. A campanha single-layer coloca o jogador contra uma série de oponentes comandados pela máquina super agressivos. Esse tipo de campanha acaba se repetindo demais; Quando o jogador se aliar com um deus, ele pode simplesmente quebrar esse vínculo e ir se aliar com deus e assim por diante. 

O jogador também pode jogar contra três amigos em um jogo de confronto, em que pode ser definir o número de diferentes parâmetros de partida e escolher entre a grande variedade de mapas. 



Sacrifice suporta - ou suportava - um modo online que estava totalmente integrado com o jogo. Eu não sei se ele funciona hoje em dia, na época eu também nunca joguei - pois eu era muito nova e a internet na minha casa era discada. Mas quem souber se existe algum servidor de Sacrifice, um dia poderemos jogar!

Conclusão, o jogo é bastante voltado para a estratégia em tempo real. O jogo pode não ser de terror, mas existem muitas coisas bizarras e assustadoras - principalmente o mundo de Charnel - que podem deixar os jogadores incomodados. Sacrifice apresenta um mundo lindo e cenários inesquecíveis, sustentando uma história muito interessante e cheia de ação. Vale a pena para os jogadores que estão buscando algo novo e desafios maiores. 


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  1. O único desses jogos antigões que eu lembro de ter jogado quando era pequeno e ter gostado muito foi Myst, Eu joguei por um emulador de DS, e a versão de DS é muito estranha. Maaaas, pouco tempo atrás eu lembrei do jogo e decidi baixar a versão de PC, e não me arrependi <3
    O jogo é bem difícil, os puzzles são totalmente hardcore (lembro que o pior de todos é um que você tem que abrir um negócio com os sons de um piano, só que aquilo lá tem pacto com o cão <3 Tirando esses, sou péssimo em qualquer outro UAHUHAUSHAUHSUAHSUAHUSAHUSHA
    O post ficou muito bom Morte, continue assim :3

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    Respostas
    1. Acho que nunca joguei de Myst... Tem tantos jogos antigos que ainda precisam entrar aqui no blog que me fazem esquecer um pouco dos novos. Pena que a atenção do pessoal é só para jogos novos - em sua maioria :c

      Brigada Pedro <3

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