Escrito por: Fabrício Destro

Fala, galera!

Abandonei meu posto para virar mais um "reviewzêro" aqui no blog! Na verdade, já estava planejando fazer essa análise há algum tempo, pois se trata de um dos primeiros jogos de horror para PS4, e às vésperas de seu lançamento, Daylight vinha criando muitas expectativas (em mim, inclusive), porque sempre mostrou ter uma atmosfera muito bacana, além de ser o primeiro game lançado com o novíssimo motor gráfico Unreal Engine 4.



Mas como nem tudo na vida é leite com pêra e ovomaltine, existem algumas ressalvas a serem feitas, pois Daylight possui alguns problemas. Muito embora, se você é fã do gênero, terá algumas horas de diversão e alguns sustos.

Então, mãos à obra!

Aspectos gerais


Daylight é um game survival horror em primeira pessoa produzido pela Zombie Studios e publicado pela Atlus (PS4) e pelo Guy Studios (PC). O game segue a linha consagrada por Slender e Outlast: o jogador não possui armas, e possui um telefone celular que serve tanto como mapa para orientar o jogador, quanto uma fonte de luz (e você vai precisar, pois Daylight é escuro à beça - o que não é necessariamente uma coisa ruim). 



A história gira em torno de uma garota chamada Sarah, que acorda num hospital repleto de criaturas fantasmagóricas chamas "shadows" (sombras), sem lembrança alguma de como foi parar ali, apenas munida do tal celular. Ela recebe uma chamada de um homem - Dr. Mercer - que claramente sabe mais do que aparenta, e serve como "guia" para que Sarah descubra o propósito de estar ali, além de relembrar seu passado.

Itens


Durante o jogo, você encontrará dois tipos de suprimentos: os "flares" (ou sinalizadores, que te ajudarão a se proteger e espantar seus inimigos durante um curto período de tempo, já que você não pode matá-los) e os "glowsticks" (aqueles bastões luminosos que brilham no escuro depois que você os agita, causando uma reação química. Eles te ajudam a identificar objetos interativos (gavetas, armários, interruptores, etc.) e a encontrar mais suprimentos, além de outros itens necessários para progredir.



A história é contada primariamente por certos arquivos chamados "remnants" (restos) que consistem tanto em relatórios médicos/psiquiátricos, quanto em páginas de diários ou fotos antigas. Eles são muito bem escritos e alguns até arrepiantes, o que dá um senso de realidade maior ao game. No entanto, você pode se perder facilmente na história dessa forma, pois se ficar de saco cheio e deixar de lê-los (mesmo que alguns) vai ficar boiando...

Progredindo


Além de contar a história, os remnants também são necessários para avançar no jogo: cada área possui um número determinado de remnants que você deve coletar, para destravar algum item (pode ser uma boneca, uma bíblia ou um ursinho de pelúcia - resumindo, objetos que já pertenceram a alguém) que servirá como chave de uma porta para que você avance a uma nova área. Mas não é tão simples quanto parece, pois as sombras te perseguem o jogo todo (sem contar que o design delas é muito legal), e à medida que você coleta os remnants, existe um medidor de "threat" (ameaça) que vai se enchendo e formando um símbolo, e isso significa que as aparições se tornarão mais frequentes, aumentando a dificuldade.



Visual e efeitos gráficos


Desde antes do lançamento, o fato de Daylight ser o primeiro jogo a utilizar o Unreal Engine 4 se tornou uma espécie de propaganda, e todos estavam esperando um visual matador. Bem... Não é bem assim. Daylight tem gráficos bonitos sim, mas que não condizem com a nova geração, pois já parecem datados, e existem jogos da geração anterior que são mais bonitos visualmente. Para mim, isso é inadmissível, se tratando de um novo hardware e um novo motor gráfico. Mas enfim, gráficos não são tudo... O problema é quando isso atrapalha o gameplay, pois não é raro o frame rate cair, especialmente em áreas abertas. Isso não é tão evidente, e pode ser que você nem perceba se não prestar atenção, mais uma hora acaba ENCHENDO O SACO.



Outro erro gráfico de composição, embora menos grave, é o fato de você não poder visualizar o corpo de seu personagem (assim como em Outlast). O fato de você utilizar um glowstick permite que você veja suas pegadas (o que é um efeito bem legal, admito), mas durante meu gameplay eu olhei para baixo para ver meus pés, e qual não foi a minha surpresa ao notar que as pegadas APARECEM DO NADA? O que é isso, minha gente?



Certamente que existem pontos positivos, por exemplo, os efeitos de luz, principalmente quando você utiliza um flare. É bem bonita a coloração vermelha que o sinalizador dá ao ambiente, além da luz ser bem realista.



Sons e efeitos sonoros


Ao contrário dos gráficos, aqui, Daylight se destaca e cria uma atmosfera realmente perturbadora. Em algumas situações você ouve Sarah falando consigo mesma e realmente é possível notar o desconforto da personagem (créditos à dublagem), mas isso deveria ser mais frequente, para que você pudesse se sentir no lugar dele, e não fosse apenas "alguém que você controla no jogo". 



Os efeitos sonoros são assustadores, você sempre ouve portas se fechando atrás de você, cadeiras se mexendo sozinhas, estantes caindo no chão, além de alguns sons de fundo perturbadores que te mantém alerta e desconfortável.



Isso cria uma baita atmosfera, e é muito útil quando alguma criatura aparece do nada e você acaba pulando da cadeira de susto, como aconteceu comigo aqui:




Jogabilidade


A jogabilidade em Daylight é bem simples: o analógico esquerdo controla seus movimentos enquanto o direito, seu campo de visão. O direcional esquerdo aciona um glowstick e o direito aciona o flare (você só pode carregar 4 de cada com você, no máximo). Você pode deixar um item no chão com quadrado, e jogá-lo com triângulo. Para escalar certos lugares, usamos O. Ainda é possível correr segurando o analógico esquerdo ou L2. A interação com os objetos é feita com R2 ou X. Achei bem interessante você poder interagir utilizando o R2 também, dessa forma você não precisa tirar os dedo dos analógico, mantendo sempre o controle sobre Sarah. Porém, achei os controles um tanto sensíveis e isso atrapalha um pouquinho para coletar os intens, que são pequenos, mas é questão de costume. O touchpad do PS4 permite que você entre no modo de visualização do mapa da área; nesse modo é possível aumentar ou diminuir o zoom, utilizando os direcionais cima/baixo.



E você vai utilizar MUITO essa função, pois é comum você acabar se perdendo, pois os corredores são muito parecidos além do que, como já disse, o ambiente é bem escuro. Isso acaba ficando chato a partir do momento que você está procurando o último remnant para progredir e não consegue porque você parece estar num labirinto em que todas as portas e corredores são iguais.


Quando os sustos passam a enjoar...


Um outro erro de composição que acabei descobrindo por acaso é o seguinte: digamos que você está investigando um ambiente com o glowstick. De repente, uma sombra aparece, e você decide utilizar o flare e acaba a espantando. Você não precisa utilizar o flare o tempo todo até ele acabar, podendo guardá-lo para depois, se trocar pelo glowstick de novo. Isso certamente ajuda bastante, porque os flares não são escassos, e o game fica mais fácil ainda se você utilizar essa tática. Ainda, se você, ao entrar em uma nova área, procurar completar o mapa antes de coletar os remnants, vira covardia e o jogo fica ridiculamente fácil.




Jogando dessa forma, a partir de um certo ponto, me saturei com as sombras, e as aparições acabaram se tornando um mero inconveniente para que eu zerasse o game. E isso tira um pouco o brilho de Daylight, porque depois daquele cagaço inicial, não há nenhuma coisa nova para manter o jogador com medo. E quando você sente que está chegando perto de descobrir a história... O game simplesmente acaba. Sim, ele é bem curto: levei umas duas horas e meia para zerá-lo (existem somente quatro áreas: hospital, prisão, esgotos e floresta) e, apesar de o final ter uma reviravolta interessante (deixo essa parte com vocês, para jogarem e descobrirem por si mesmos!), achei curto demais mesmo para os padrões de survival horror atuais.


Concluindo


Daylight é um jogo legal e divertido. Mas comente "legal e divertido" é muito pouco para um game que prometeu tanto e criou tanta expectativa antes do lançamento. Existem pontos em que o game se sobressai e realiza um ótimo trabalho, mas transformar um conceito manjado em algo ótimo ou excelente é preciso mais do que isso. Não vou negar que a primeira hora é bem interessante, mas depois que você pega o jeito ele se torna bem enjoativo e não há nada de novo para despertar uma curiosidade por parte do jogador.




Na época em que o comprei paguei 20 reais na PSN (há alguns dias ele subiu pra 31 reais, o que é um valor alto) e, na falta de títulos do gênero para o PS4, me senti satisfeito de certa forma. Mas para o "primeiro game a utilizar o Unreal Engine 4", poderíamos ter um resultado melhor.

Um abraço!

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  1. Aeeeeeee Fabrício, começou a carreira de "reviewzeiro" bem :3 Sua review falou o necessário do jogo, sem falar bem demais e sem criticar demais. Pra falar a verdade, assim que eu vi os gameplays de Daylight eu não curti o jogo. Eu tava esperando um negócio mais "jogo de terror, e não jogo com mapa random e clima de Slender". Fiquei um pouco decepcionado no começo, porque eu não curto muito esse estilo, mas a história do jogo é tão bem trabalhada que eu me forcei a assistir um gameplay até o final.
    Se os produtores tivessem feito algo mais no estilo Silent Hill/Resident Evil em primeira pessoa, mas com a mesma história e características do jogo (personagem sem armas diretas e etc), eu acho que ele ficaria mais legal, além de que com certeza ele teria uma maior duração.
    Bem, achei um jogo mediano, foi muita expectativa pra pouco resultado. A review ficou ótima, continue escrevendo :D

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    Respostas
    1. Pra te falar a verdade, no começo fiquei bem ansioso com Daylight, e essa ansiedade foi diminuindo conforme eu jogava, porque os sustos acabam se tornando previsíveis demais a partir de um certo ponto. Sobre o fato de mapas randômicos, eles são "randômicos" entre aspas mesmo, porque no terceiro gameplay eu já notava semellhanças com os anteriores. Eu acho legal a atmosfera, e jogar pelas primeiras vezes com fone de ouvido é assustador; mas isso é pouco, na minha opinião.
      Sobre a história, é meio clichê para mim, mas a reviravolta no final me surpreendeu positivamente, então considero um bom final. O jogo é mediano sim, mas só jogando pra cada um formar sua própria opinião.

      E obrigado pelos elogios! Quando aparecer uma nova oportunidade, voltarei a escrever!

      Abraço!

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