Escrito por: Fernanda Turesso



Atualizando a postagem para botar aqui o vídeo novo que saiu no nosso canal do Youtube!

Para quem não conhece ainda, entre e se inscreva para receber notícias e vídeos novos quando publicarmos! Os vídeos ainda não tem dias marcados para serem lançados, então é bom se inscreverem caso gostem do canal!



"Psicólogo cria jogo baseado no Caso Richthofen"

O que leva uma pessoa a querer matar alguém? E a querer assassinar seus próprios pais, como fez a adolescente Suzane von Richthofen em outubro de 2002, auxiliada pelo namorado, Daniel Cravinhos, e pelo irmão dele, Cristian Cravinhos? 

Criado no final de 2013 pelo professor e psicólogo Nicolau Chaud especialmente para o concurso de Halloween de RPG Maker 2013, Suzy and Freedom chamou a atenção de muitas pessoas no exterior por conta da narrativa pesada e baseada em fatos reais. Muitos gringos que não conheciam sobre o caso ficaram mais curiosos sobre a história verdadeira no que resultou de até uma tradução para o coreano desse jogo. 

Suzy and Freedom conta todo o Caso Richthofen, desde quando Suzane se encontrou pela primeira vez com seu namorado Daniel até ela ter a ideia de matar seus próprios pais para conseguir liberdade, dinheiro e o amor que tanto queria. 



Chaud conta que para completar a história teve de criar personalidades semelhantes com as dos criminosos da vida real. Ele teve de descrever muitas cenas pessoais, diálogos familiares e coisas sobre as quais ele não possuía fontes. Mas, para que a história ficasse bastante próxima da realidade, ele acrescentou referências e detalhes reais. Um bom exemplo disso é a música de abertura que toca "Nada Sei" do Kid Abelha, que fazia muito sucesso na época do caso e outro fato que é ter mostrado Dan como um habilidoso construtor de aeromodelismo. 

A trilha sonora e a preocupação da sonoplastia misturada a eventos de imagem fizeram o jogo ficar com um toque único e bastante frustrante. Sons de batimentos cardíacos dão um tom nervoso em muitas cenas decisivas onde a tela vai se fechando e enclausurando os personagens para que se sentissem culpados pelo que fizeram. Segundo Chaud, foi a maneira perfeita de reproduzir a sensação de ansiedade ao imaginar como seria ser preso por vários anos sentindo a culpa por ter matado alguém inocente. 

A jogabilidade de Suzy and Freedom é bastante simples, onde os diálogos e escolhas dominam o jogo, tendo apenas alguns poucos momentos de verdadeira ação. Vários mini-games foram colocados no decorrer do jogo para mostrar algumas situações em que os personagens se encontravam.



Infelizmente alguns mini-games são bastante frustrantes e faz você desistir do jogo facilmente. Um deles é a parte em que Suzy e Dan estão se apaixonando e você tem que comandar os dois em um lugar cheio de blocos e subir até encontrar o amor. Se cair, terá que subir tudo de novo. Sem contar que a música tocando no fundo dos The Stylistics "You make me feel brand new" (muito bonita por sinal) na versão violino é simplesmente irritante depois que você passa alguns minutos ouvido. Péssima escolha. 

O jogo tem aproximadamente uma hora de duração dependendo do tempo que você levar nos mini-games. E apesar das inúmeras escolhas que você tem durante a jogatina, o final não muda. Senti falta de poder realmente mudar o rumo da história. Mesmo sendo baseado em fatos reais, o jogo poderia ter criado finais verdadeiros e falsos.

Suzy and Freedom tem saves automáticos. Mas caso você queira parar de jogar e começar outra hora, só poderá escolher um capítulo e sempre jogar desde o começo. 

"O público brasileiro não foi receptivo com o jogo"

Segundo Chaud, o público brasileiro não gostou muito de uma história baseada em um crime tão polêmico quanto o Caso Richthofen. Ele acredita que as pessoas tem medo de reviver momentos ruins e que estavam tão próximo delas. Quer dizer, não é como ver um filme sobre serial killers americano, onde parece que tudo é ficção de uma mente doentia. Talvez tenham percebido que crimes verdadeiros são mais terríveis que simples filmes. 



Particularmente adorei a ideia de fazerem um jogo sobre uma história verdadeira daqui. Isso mostra que o Brasil também pode criar jogos com narrativas boas e de assassinatos, que não deixa de ser um entretenimento. 

Chaud defende também que quem jogar vai saber que existe uma razão de existir o jogo, mas nos olhos dos outros, ele pode passar uma impressão de que transformar a tragédia alheia em entretenimento. Mas não é assim, jogos assim buscam provocar efeitos muito além da diversão. 

E para terminar, perguntaram para ele se algum outro caso poderia vir a se tornar um jogo, e ele se diz bastante interessado com o caso da Isabella Nardoni ou o crime do goleiro Bruno, mas que precisa ser cuidados com histórias de pessoas reais para não ofender nenhum envolvido.

Para quem quer ver um jogo diferente e com uma história bem contada e brasileira, Suzy and Freedom é uma boa pedida!

Gostou? Compartilhe:

  1. Devo dizer que o jogo não me atraiu muito...
    Claro, achei a ideia interessante e inovadora, ao menos pra nós. Mas acho que, sim, é polêmico.
    Como foi dito no post, acho que a proximidade e o fato de todos os brasileiros terem "vivido" esse caso na época pode acabar tornando meio bizarro o fato de jogar algo que "revive" isso.
    Vou dar uma chance... quem sabe a jogabilidade não me faz pensar que isso é menos bizarro... ^^)'>
    O ponto positivo, se é que é positivo, é que podemos por um momento estar na pele dos assassinos e "entender" o que aconteceu... acompanhar passo a passo o desenvolvimento e os motivos que os levaram a isso...
    Mas, na minha opinião, acho que ele não deveria remexer muito nesses casos, como o dos nardoni.
    São casos que envolveram, sensibilizaram e até enraiveceram o país inteiro. Trazer isso a tona de novo talvez não seja uma boa ideia...
    Mas claro, cada um tem sua opinião.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente. Mas acredito que essas histórias de assassinatos reais mexem sempre com qualquer população. Acredito que os americanos estejam fartos de ouvir sobre os muitos serial killers que marcaram datas terríveis para eles. Ficar relembrando aquilo sempre deve ser difícil.

      Aqui no Brasil parece que mexemos pouco com isso e por isso acaba ficando muito polêmico e pouco receptivo. Mas, na minha opinião, acredito que seja uma ideia diferente para se colocar em um jogo, livro ou até mesmo um filme.

      Foi uma escolha de história bastante difícil.

      Mas enfim, jogue sim, o jogo é bem pesado e bem cruel, mas acho que vale a pena dar uma olhada.

      Excluir

ÚLTIMAS NOTÍCIAS!