Escrito por: Fernanda Turesso

Quantos jogos coreanos vocês conhecem? Quer dizer, é bastante comum encontrarmos jogos japoneses por ai. Aliás, no começo da era dos vídeo games todos os jogos eram praticamente japoneses, ou pelo menos tinha uns integrantes orientais no meio. Mas e um jogo vindo da Coréia? Já viram? Pois é, eu também não tinha visto até que descobri por causa da Claudinha (como sempre) um jogo bastante curioso chamado White Day: A Labyrinth Named School. 



Um jogo que possui o nome de um feriado bastante conhecido no oriente, sendo igual ao Dia dos Namorados aqui no Brasil, chega a ser bastante curioso e não muito amedrontador. Mas é ai que se enganam!

White Day tem como pretexto a pequena aventura de um jovem colegial chamado Hui-min que foi transferido para a escola Yon Do antes do Dia Branco. Nesse dia ele conheceu uma garota bastante introvertida chamada So-yeong, na qual estava sentada em um banco e ao avistar sua amiga, acabou esquecendo seu diário. Hui-min tendo gostado dela, pegou seu diário e resolveu lhe entregar junto com um doce para o Dia Branco. 

O jogo não apresenta uma história inicial atrativa e eu até pensei que pudesse ser aqueles "pseudo-horror dramáticos" - porque coreano adora fazer isso - mas logo depois da cena inicial encontramos o garoto na frente da escola durante a noite. Aí você para e pensa... "Isso aí, agora vai ser bom!". 

Aparentemente entramos lá durante a noite para entregar o diário de So-yeong sem que ela saiba que Hui-min está com ele - talvez para ela não achar que ele leu - e logo pensamos que estamos sozinhos... Terror e suspense rondam esse lugar só no primeiro cenário que entramos. 



White Day é bastante escuro e a jogabilidade em primeira pessoa faz com que tudo pareça mais terrível ainda. No começo não temos nada para iluminar o caminho até que encontramos uma caixa de fósforos, que ajuda e ao mesmo tempo não. 

Seu objetivo principal é simples, mas logo de cara, seu destino é desviado simplesmente por você não estar sozinho. Sim, outras alunas de sua classe estão perdidas ali por algum motivo misterioso - e ainda acham que você é suspeito por estar na escola naquele horário - e acabam conversando com você e revelando alguns segredos que rondam o lugar e também sobre a menina misteriosa que Hui-min tanto gosta. 

Basicamente o jogo é você encontrar-se com So-yeong para devolver o maldito diário. As outras alunas irão te ajudar a procurar caminhos alternativos para saírem da escola, porque, por algum motivo sobrenatural tudo está trancado e não há nenhum meio - normal - de sair. 

Apesar do início suspeito e nada assustador, a atmosfera é bastante pesada e dá um certo medo de caminhar deliberadamente pelas salas de aula. O jogo contém muitos textos contando sobre o estado da escola, cartas de professores e principalmente histórias de fantasmas que, aparentemente, são reais e se passaram com ex-alunos. 

Esses textos normalmente são dicas de qual será o próximo boss e que coisas terríveis que você enfrentará em seu caminho. E como todo jogo - ou qualquer mídia de terror - oriental teremos fantasmas de verdade querendo te assombrar. 

Apesar da trama dramática juntar espíritos de adolescentes suicidas e acanhados, eles não serão os únicos inimigos ofensivos. Oh sim, existe uma coisa muito pior. Pior do que qualquer inimigo que você já tenha enfrentado. O terrível Janitor!


Sim! Um zelador possuído que ao te ver - ou ver qualquer aluno - tenta te matar com um bastão de baseball. Seria um bom inimigo se ele não tornasse o jogo maçante - além de fazer todo o terror sumir. É chato, perseguidor e bugado. Sim! Ele foi totalmente mal programado e faz com que seja totalmente injusto com os jogadores. Além de ele não parar de te perseguir, consegue te prender nos cantos e aparecer em qualquer lugar. Fora que não podemos salvar o jogo, resolver puzzles ou fazer certas ações enquanto o Janitor estiver te perseguindo. Ele 
seria um inimigo até que suportável se não fizesse parte de 80% do jogo. Então, ele não é um personagem que possa ser facilmente ignorado. E você ai reclamando do Ustanak e do Nemesis!

Deixando a parte terrivelmente maçante de lado, White Day tem um sistema de dificuldade bastante interessante. O jogo lhe dá várias opções que vão do Very Easy ao Realista. 

Cada dificuldade tira ou acrescenta coisas, como por exemplo, nos níveis mais fáceis podemos ter um celular que nos dá dicas quando ficamos muito tempo em um determinado lugar. Já nas dificuldades maiores, o jogo tira o celular de você, faz com que você não possa cansar mais, correr menos e o melhor de tudo, ele aumenta as aparições de espíritos!

Sim, o jogo pode ser bem aproveitado na dificuldade Normal, onde mescla com um terror mais constante e com puzzles razoáveis. 





Nos últimos níveis é acrescentado o tempo. Se o jogador se demorar demais na escola e passar da meia noite, o jogo acaba e dá game over. Além de deixar os fantasmas bem mais presentes e o Janitor ser um perseguidor incansável - e você se cansar bem mais rápido do que o normal. 

White Day também apresenta um menu com tempo real nas dificuldades maiores. Podendo ser mais difícil de administrar itens, pois você pode ser atacado durante a entrada do menu.
Nos níveis fáceis podemos entrar a qualquer momento, pois trava tudo à volta como nos jogos antigos. 


Os itens chave podem ser encontrados em qualquer lugar da escola. Dentro de armários ou caixas. Eles sempre estarão disponíveis, pois você precisará usá-los bastante. O único problema é que você tem que ficar equipando item chave toda vez que quiser usá-lo em alguma porta. Eles não são usados automaticamente, o que faz com que entremos em pânico - já que o janitor está na nossa cola pra sempre. 



Os itens de cura podem ser comprados em máquinas de vendas. Durante toda a jornada encontraremos moedinhas espalhadas pelos locais. Cada comida ou bebida tem valores diferentes. Caso você fique sem muitas moedas para comprar lanches, você poderá usar uma máquina de sorte ou azar, jogar e tentar ganhar mais - ou perder mais!
Mas não entre em pânico, o jogo disponibiliza suprimentos suficientes para que você não passe fome (morra). 

Hui-min tem pontos vitais, como eu disse sobre correr. A pratica de exercícios é uma boa opção para sua saúde, mas abusar disso pode te levar à morte. O menino não poderá correr infinitamente. Seu coração que fica localizado no canto da tela mostrará o status da vida de Hui-min. Quanto mais ele bater, mais cansado ele ficará. A tela também mostra quando o personagem está a ponto de morrer, ficando totalmente distorcida e embaçada.
Os danos causados por fantasmas ou pelo janitor também serão mostrados, fazendo com que o coração se canse mais rápido e, quanto mais vermelho, mais perto da morte você estará. 


Ter um coração como medida de nos incapacitar na fuga de inimigos faz com que tenhamos mais medo de morrer e perder tudo o que fizemos, já que os saves desse jogo são limitados. Para salvar o jogo Hui-min encontrará canetinhas espalhadas pela escola e só poderá salvar onde tiver um bloquinho de notas para escrever. Acabou as canetinhas, acabou os saves. 

White Day contém gráficos bastante agradáveis e bem feitos para sua época. Para um jogo independente e que não fez muito sucesso fora da Coréia, conseguiram criar personagens bonitos e com uma animação bastante boa, tanto nos rostos quanto nos corpos. Se compararmos jogos de 2001 com ele, podemos perceber que ele era um jogo com gráficos acima do nível - tirando alguns glitches.  

Saindo um pouco da jogabilidade e focando na história. White Day é contado somente pelas conversas entre os alunos, fora alguns poucos documentos que contaram histórias que podem ser verdade. Normalmente, durante as conversas, teremos escolhas para serem ditas. Senda elas boas ou ruins.
Cada escolha nos leva a caminhos diferentes. Alguns nem vão fazer diferença, outros vão lhe contar mais segredos e também irão fazer com que algumas personagens andem ao seu lado. Fora que qualquer coisa diferente que você faça pode acarretar em um final alternativo, já que o jogo possui quatro finais.



Isso é um dos pontos positivos de White Day. Jogos com bastante escolhas fazem com que fiquemos com curiosidade em saber o que aconteceria se falássemos diferentes respostas em determinadas ocasiões. Acredito que isso seja um ponto muito bom e importante para que o jogo tenha o "fator replay". 

O jogo não contém muitas músicas de fundo e nem principais. O que dá o clima é que ele não tem músicas propriamente ditas. São somente sons ambiente, como passos, risadas, o janitor balançando suas chaves, barulhos esquisitos e alguns fantasmas que só podem ser ouvidos durante a jornada. 

Versões diferentes



White Day foi lançado em 2001 para PC somente na Coréia. O jogo foi tão terrível que muitas pessoas enviaram para o desenvolvedores dizendo que não conseguiam completá-lo por que era absolutamente assustador!


Fora a última versão, houve algumas outras e que tiveram gráficos muito piores do que na versão final. 

A primeira saiu em 1998 e só existe um trailer promocional dele e se chamava White Day: Ghost School.

Em 1999 saiu o White Day: Blood Festival/Blood Party foi a primeira versão jogável e nunca saiu da Coréia. Provavelmente nunca teve um público bom, já que era apenas um beta. 

Em 2000 saiu White Day: A Ghost School Tragedy, com apenas uma versão demo do jogo que existe hoje, e possivelmente algumas pessoas ainda possuam ela, até porque ela não saiu publicamente. 

E por fim, White Day: A Labyrinth Named School saiu em 2001, e suas primeiras versões eram bastante diferentes da final, que mais ou menos incluía o modo multiplayer e outras coisas que foram possivelmente removidas nas versões posteriores e depois dos patches.

Sonnori & Unnamed



É verdade que quase ninguém sabe de White Day. Apesar de ser amplamente considerado como um clássico do terror da Coréia, os desenvolvedores faliram quase que imediatamente depois de terem anunciado a versão em inglês e só recentemente uma equipe pequena independente de modificações chamada Unnamed Studios conseguiu renovar e traduzi-lo para inglês, e desde então desenvolveu um culto de seguidores em todo o mundo. Antes da Unnamed ajustar o jogo, havia uma versão relativamente jogável com bugs em abundância e um inglês porco (às vezes nem tradução tinha), e demorou muitos anos para que ele fosse conhecido por aqui. Isso não quer dizer que a nova versão não tenha um inglês feio e áspero, mas é inteligível. Então, enquanto você joga, tenha em mente que ele é bom, apesar dos bugs e o inglês razoável, e que também é de graça. 

Sim, você não leu errado, White Day é um jogo free-to-play por causa da falência de sua desenvolvedora, Sonnori. 

Sonnori (손노리) foi uma empresa Sul-Coreana que foi estabelecida em 1994 como uma nova equipe de desenvolvimento da Softry, e mais tarde da Phantagram. Tendo desenvolvido o Astonishia Story e uma sequência e então um remake para portáteis. A empresa se tornou independente em fevereiro de 1998. Pouco depois disso White Day foi lançado em 2001, mas apenas ficando na Coréia. 
Uma versão em inglês foi planejada UK-based 4AM Entertainment em 2004 mas foi cancelado. Desde então o jogo tornou-se uma raridade entre os títulos vendidos, e depois que a empresa faliu, o jogo tem se mantido vivo na internet através da divulgação do Unnamed Studios que hospedou e criou patches para melhorar o jogo.

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