Escrito por: Fernanda Turesso

"Um vírus de computador amaldiçoado e um monte de macacos estão em seu primeiro dia de trabalho neste jogo."

Se você pensa que um jogo bom precisa de uma história medíocre, controles péssimos e inimigos totalmente a par do sentido do mundo, The Ring Terror's Realm seria perfeito, mas não é bem por aí que a coisa anda, felizmente. 

Baseado vagamente na série de romances assustadores de Kohi Suzuki (Ringu, mais conhecido aqui como "O Chamado), The Ring Horror's Realm segue para um lado diferente do filme. Em vez da ideia popular de que havia um VHS amaldiçoado, é um programa de computador amaldiçoado. É, vocês entenderam bem, um programa de computador. Mas não é por ai que param as esquisitices desse jogo. 

Apesar dos pesares, há poucas referências à VHS original, pois o mal central da história está focado no programa de computador. Pelo menos, a premissa básica sobreviveu. Basicamente teremos que sobreviver por sete dias após a exposição a maldição. 

The Ring Horror's Realm começa com o namorado da protagonista, Meg Rainman, morrendo na frente de seu computador. A mulher, ao chegar em casa, descobre o ocorrido misterioso e, decidida, resolve investigar sua morte. 




Logo, ela sendo uma pesquisadora científica, cabe a ela ir trabalhar no mesmo laboratório que seu namorado. Lá ela descobre, através de seu chefe, que todos os presentes no laboratório naquela noite, estão em quarentena por causa que um vírus letal se espalhou por lá (bastante seguro, claro). 

Então, Meg vai direto para a sala de seu namorado investigar e descobre que em seu computador havia um programa chamado [RING]. Ao tentar executar o programa, ela é transportada para uma espécie de realidade alternativa, onde ela é membro de grupo militar. Depois de sobreviver a isso, ela recebe um telefonema em seu escritório, onde é sabido que restam apenas sete dias para ela morrer. 




O jogo saiu no começo do ano de 2000 no Japão e foi parar somente meses depois aqui na América exclusivamente para DreamCast. Para dar mais enfase de que eles queriam algo bastante semelhante aos jogos de terror clássicos, a Infogrames publicou ele aqui nas terras ocidentais - mesma distribuidora de Alone in the Dark: The New Nightmare. 

The Ring Horror's Realm tenta desesperadamente ser Resident Evil. Podemos notar claramente no começo de sua jogabilidade as muitas semelhanças que os jogos possuem. Um exemplo bastante clássico são os loadings transformados em portas se abrindo. Existem as mesmas cenas espalhadas pelo jogo todo, só que com uma leve melhorada: dessa vez podemos ver o que há por trás das portas quando se abre - mesmo que tudo fique parado e carregando por um tempo. 



Sem contar os menus em que usamos para guardar itens - que também podem ser investigados e combinados, exatamente como em RE. No decorrer do jogo também poderemos guardar itens em baús espalhados por alguns cenários, mas que não são interligados, assim funcionando igual à Dino Crisis.

A jogabilidade é bastante chata no começo pois não foi bem programada para se usar um analógico e muito menos um controle que não seja do DreamCast. É muito difícil controlar a personagem enquanto ela corre. É uma mecânica muito travada, mas que, com o passar do tempo você consegue se acostumar à péssima movimentação. Sem contar que os objetos coletáveis são bastante difíceis de serem pegos, já que a personagem tem que estar no milimetro correto para fazê-lo. 

Seguindo ao controle ruim, por mais que tivessem a tecnologia necessária para não fazerem isso, resolveram fazer para simplesmente ficar parecido com Resident Evil. As malditas câmeras estáticas. Sim, o jogo tem câmera estáticas por todo o lado e não são possíveis de mudá-las. Mas um diferencial bastante inteligente e útil para os jogadores é que temos uma visão em primeira pessoa que facilita tudo, mas infelizmente não podemos andar nesse modo. 




A visão em primeira pessoa ajuda a encontrarmos inimigos antes de eles nos encontrarem e também a encontrar objetos escondidos dentro do cenário - já que as câmeras não se movimentam. 

Como costume daquela época, os saves são guardados em pontos específicos. Em The Ring Terror's Realm nós salvamos em um rádio à pilha. Como estamos falando de um jogo do DreamCast, todos que tiveram esse console sabem que nos controles haviam um dispositivo de armazenamento que se conectava direto ao controle. Nele havia um visor onde mostrava informações sobre o jogo e se chamava VMU/VMS (Visual Memory Unit/Visual Memory System). Provavelmente algumas informações - como menu, vida do personagem, quantos itens ele possuía, etc - poderiam ser vistos no pequeno visor do VMU. O que auxiliaria durante o jogo. 

Nota: Só digo provavelmente porque eu não tive a chance de jogar em um DreamCast e tive que apelar à um emulador. Meu controle era do Xbox 360 - que é até parecido - mas que não poderia me dar as informações do VMU. 

"Prepare seus ouvidos, porque a música é assustadoramente irritante!"

Além de todos os elementos copiados de Resident Evil, The Ring apresenta problemas com a tradução, deixando os diálogos bastante esquisitos e mecânicos. Muitas vezes teremos diálogos enormes entre os personagens e isso é uma parte boa. Havendo apenas dublagens durante as poucas CGs que existem nele, teremos que ler boa parte das falas. Mas, como toda tradução, existem falhas e erros ortográficos, sem contar que alguns personagens parecem que não conseguiram criar uma personalidade durante a história.
  

Embora a história tenha seus pontos bons para que o jogador se interesse em continuar - já que só isso lhe resta - algumas coisas ainda insistem em quererem estragar tudo. Em cada "fase" teremos temas de músicas diferentes. Então você pode contar com no máximo umas seis músicas durante o jogo todo. Acha bastante? Pois bem, o começo já é um inferno por ter uma música extremamente irritante com um looping tão grande que faz com que o jogador simplesmente desligue o som para poder continuar.

Nota: então pessoal, se vocês querem criar um jogo de terror com música de fundo, tente usar temas neutros e que ninguém perceba por um tempo. 

Falando um pouco sobre os gráficos. Acredito que eles tenham sido bastante bonitos para a época. Lembra muito gráficos de jogos de computador, com personagens bem feitinhos e com rostos bem desenhados. Infelizmente os criadores não souberam aproveitar os rostos dos personagens e eles simplesmente não possuem feições. O jogo todo a doutora Meg estará com um sorrizinho estampado no rosto - mesmo que esteja prestes a morrer. 

"E os macacos que você falou?"

The Ring se divide em duas partes: o mundo normal em que começamos e o mundo alternativo que está dentro do jogo [RING].

Basicamente o jogo vai te fazer descobrir as coisas no mundo normal e te fazer sofrer no mundo alternativo. E bem, não pensem que o mundo alternativo seja assustador e medonho como em Silent Hill, pois é totalmente ao contrário. 



O jogador vai rezar para não ter que entrar naquele mundo. Basicamente, quando Meg entra no [RING], ela é transportada para uma área virtual onde ela faz parte de um grupo militar - como falei de início - e lá ela terá de cumprir pequenas missões que são: matar macacos do mal

É, o jogo se resume a matar macacos enquanto você tenta descobrir coisas no mundo real. Basicamente, se você morrer no virtual, você fica preso lá para sempre e vira um macaco também. 

Uma coisa que eu achei bastante engraçada no jogo é que Meg, quando fala com os personagens no mundo virtual, acha que eles são de mentira e tudo o que ela está fazendo é apenas um jogo. Então, ela acaba levando tudo aquilo na brincadeira e faz as coisas como se já fizesse aquilo há anos. Isso é criativo, pois ela nem sabe que aquilo pode matá-la de uma hora para outra. 

E bem, você pensava que o jogo era sobre fantasmas já que estamos falando da Sadako, mas não, The Ring Terror's Realm é sobre macacos a serem mortos e vírus de computador bizarro. E eu realmente estou tentando descobrir porque macacos... Por quê macacos?

Bom, The Ring foi um jogo que simplesmente falhou. É mais uma repetição de um conceito que já está cansando e que fora muito melhor no passado. Alguns fãs de survival horror talvez encontrarão coisas boas em The Ring - tais quais eu encontrei - e tentarão tirar proveito disso. O jogo tem seus problemas, mas não está sujeito a ser deixado de lado. 

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