Escrito por: Gabriel Cavalcante


Correntes de e-mail não poderiam ser mais irritantes. A maioria das pessoas apenas as ignoram e outras estão convictas de que suas máquinas serão invadidas por vírus vindos até de Marte se abrirem o e-mail. Mas, e se essas correntes fossem reais? E se algo horrível acontecesse caso não encaminhássemos essas desgraças após serem lidas? Um pequeno grupo de amigos brasileiros decidiu trabalhar em cima dessa ideia para um jam de jogos de horror, dando vida a The Chainletter Massacre.


Se você não encaminhar essa postagem para cinco amigos, aguarde a visita da Loira do Banheiro!

O game feito para o Pack of Horrors (um gamejam brasileiro bastante fechado e apenas com títulos de horror) gira em torno de Derek Freake, um editor que se muda para uma moderna casa no campo em meados dos anos 90. Pelos e-mails que lê toda manhã antes de sair do trabalho percebe-se que Derek tem alguns problemas sociais (onde já vi esse quadro antes? *Olha no espelho*) e decidiu se isolar em parte por isso. Talvez isso ou qualquer outro fato psicológico tenham-no feito acreditar que as correntes que passou a receber por e-mail fossem reais. Se as encaminhava, apenas recebia respostas de seus amigos indignados por repassar aquelas coisas horrendas, mas se ignorasse, enfrentava um verdadeiro inferno ao voltar do trabalho, com participação até mesmo da Loira do Banheiro. (Que para quem não conhece, é uma lenda urbana bastante popular antes do Ensino Médio aqui no Brasil. Fala de uma ex-estudante loira que, segundo uma das versões, se matou no banheiro masculino por conta do amor não correspondido que sentia por um professor - outras dizem que ela se matou no banheiro feminino e seu espírito migrou para o masculino afim de rever o professor. Seja como for, ela assombra os banheiros masculinos e sua invocação vai desde de apagar a luz e sair correndo a escrever seu nome em uma parede qualquer ou até mesmo chamá-la três vezes enquanto olha no espelho - bem ao estilo Bloody Mary)



Não olhe as entidades nos olhos

A versão disponível de The Chainletter Massacre infelizmente não é a final. Essa versão beta é bastante simples e em poucos minutos o jogador percebe que não há desafio algum. O enredo é interessante, o design é apaixonante, a trilha sonora encaixa e tudo mais, só que a jogabilidade deixa muito a desejar. Pela ideia apresentada lembramos logo das lendas urbanas japonesas que na maioria das vezes originam ótimos filmes e jogos, porém TCM não rendeu algo louvável. Quando não encaminhamos as correntes, as aparições ficam perambulando pela casa e se multiplicando. Se Derek entrar em contato com uma delas por algum tempo, seu medidor de sanidade vai cair. As formas de evitá-las são escondendo-se em armários (o que também reduz a barra de sanidade) ou simplesmente correndo pra cama e dormindo. Pronto, mais um novo dia, nada de interessante acontece. O jogo se mantém nesse ciclo até que o jogador decida conferir o que acontece quando a barra de sanidade se esgota e é só isso. Nada de puzzles, nada de desafios, nada de inimigos (se é que você me entende), nada de plot twist, nada de nada. Apenas um mini game que não poderia ser mais simples - principalmente se decidirmos encaminhar as correntes, então nada de visitas do além.


"OK seu esquisito, agora pára de me mandar postagens desse blog!" - seu amigo medroso

E o que aconteceu com o jogo? O que aconteceu com o Pack of Horrors? Quem sabe? As atualizações de ambos pararam perto do final do ano passado - simplesmente sumiram do mapa. O potencial do projeto é grande, porém os desenvolvedores deixam a desejar no produto final. Quem sabe eles sumiram exatamente pra voltar com força e fazer barulho no cenário dos games indie, principalmente aqui no Brasil?



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