Escrito por: Gabriel Cavalcante


Um homem descobre que brevemente morrerá vítima de um câncer e em desespero procura por vários tipos de curas além da ciência. Um de seus amigos lhe fala sobre a Árvore da Vida, no Jardim do Éden, e como uma última tentativa Doak aceita a oferta do padre. Rust and Blood coloca o jogador na pele desse homem vasculhando um sombrio Jardim do Éden em busca da suposta cura que apenas a Árvore da Vida pode dar.


Um cético, uma pesquisa religiosa e uma esperança

O Jardim do Éden é descrito na Bíblia como um paraíso. No entanto, ao afirmar a Doak que ele existia, o padre acrescentou que milênios se passaram desde a última vez que o lugar foi visto e que por isso poderia estar um pouco diferente. Após um ritual macabro que se descoberto pela Igreja teria o padre excomungado, o protagonista acorda num lugar que em nada lembra o paraíso descrito no livro sagrado. O Jardim do Éden se transformou num pesadelo com uma atmosfera pesada e nenhum tipo de natureza visível. As criaturas vis que perambulam pelo Jardim são coisas jamais pensadas pela mente humana, bem como as dimensões de algumas localidades. No final das contas, o Jardim do Éden de Rust and Blood é uma mistura de Silent Hill com a descrição de R'lyeh vista em O Chamado de Cthulhu


Sobrevivência escassa, força de vontade de sobra

Feito no RPG Maker VX Ace, o jogo conta com um interessante sistema de sobrevivência. Nele você não combate inimigos diretamente nem tem um mundo vasto para explorar (de fato, o mundo é bastante pequeno e o jogo inteiro pode ser completo em menos de uma hora). Ao invés disso, há um nível de fome que aumenta enquanto você caminha. Quando o nível de fome chega a mais ou menos 100, Doak já não pode mais correr e quando atinge o limite, ele morre. Para se manter estável e continuar a exploração, o jogador deve encontrar comida nas geladeiras espalhadas pelo Jardim e ainda um kit de sobrevivência com o qual podem cozinhar (um simples sistema de crafting que leva poucos minutos para criar estoques se os materiais corretos estiverem em mãos), recuperando a energia sempre que preciso. As comidas aliviam certos níveis de fome - por exemplo, os cogumelos crus não ajudam muito, mas a sopa deles, assim como alguns outros alimentos, recupera uma boa quantidade de energia; por outro lado, a sopa de luxo sacia toda a fome do pobre homem, mas seu preparo pode ser um pouco mais demorado. Rust and Blood ainda conta com um sistema de dia e noite que se encaixa muito bem no ritmo rápido intencionado pelo desenvolvedor. A manhã começa às 7:00 e a noite cai às 21:00, quando é supostamente mais perigoso e recomendado a Doak voltar pra "casa". O jogo possui scripts e eventos tão simples que se há algum bug maior, é quase imperceptível. 


Mais um pesadelo que um paraíso

O design de Rust and Blood é bastante interessante. É quase impossível não lembrar de Silent Hill quando caminhamos pelo Jardim, mas por outro lado tem um pequeno grau de originalidade. O desenvolvedor não pareceu muito preocupado em dar muito sentido ao ambiente, criando tiles que, da perspectiva do personagem, dão forma a coisas jamais pensadas por uma pessoal normal. A trilha sonora minimalista também não é puramente original, porém se encaixa nos diversos ambientes e momentos do game, dando à atmosfera o peso ideal.


Rust and Blood não dá muitos sustos (de fato, só devo ter prendido a respiração uma ou duas vezes), mas ainda assim é um jogo muito bem trabalhado com uma ideia interessante. Hoje em dia não é todo mundo que tem tempo de sobra para se aventurar por um mundo caótico só para passar o tempo, mas com a possibilidade de já fechar o jogo completo com esse pouco tempo é algo sublime. O game foi postado no RMN para um concurso de Halloween nesse ano, mas parece não ter ganhado. 

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  1. Parece muito interessante, a ideia em si é ótima! Agora assim que vi, o primeiro game que me veio a mente foi Nowhere para celular!Melhor jogo mobile que existe!

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