Escrito por: Gabriel Cavalcante


O tema zumbi é algo que ficou ridiculamente evidente de uns anos pra cá, tanto que não me surpreendo mais quando lançam um novo filme onde eles são cada vez mais agressivos ou quando o Google Play me indica qualquer coisa relacionada (sou parcialmente culpado nisso, tinha ótimos jogos de zumbis instalados). No meio dessa ramificação do mercado midiático, a dupla TwinDrills teve uma ótima ideia que a princípio pode parecer meio batida, porém teve uma finalização inigualável que só não alcançou o topo por precisar de uma administração melhor. Zombie Grinder é um MMO de ação com pequenos detalhes de RPG onde a matança, o tributo e a fofice ficam em evidência.


Um por todos, todos por um e pegue-me se for... Não, você me pegou.

MMOs (para quem não sabe, Massively Multiplayer Online, que são jogos com suporte para vários jogadores online, jogando ao mesmo tempo e no mesmo servidor) não costumam ser lembrados por suas histórias (com exceção de Final Fantasy, Phantasy Star, World of Warcraft, entre outros). Geralmente eles perdem exatamente nesse ponto, pois as empresas focadas no gênero seguem um padrão muito comum em todos os outros jogos, sendo suas diferenças quase imperceptíveis para quem conhece o mercado a fundo, fazendo-nos vasculhar sites e mais sites dias a fio à procura de algo inovador. ZG não é muito diferente em vários aspectos, principalmente no background praticamente inexistente, mas ainda consegue destoar de seus dois gêneros por conta de sua simplicidade e tributo a um clássico bem específico. O jogador pode se aventurar com outros caçadores de zumbis em diversos mapas com diferentes objetivos ou ainda em mapas criados por eles mesmos, além do modo deathmatch ou "MORRE LIXO, SEU FILHO DA P*TA, NOOB, CASHER, HACKER!!! HU3HU3HU3HU3", porém infinitas vezes mais amigável e divertido (algo impressionante, já que há sim brasileiros em Zombie Grinder, mas são bem quietos e comportados). A diversão seria garantida se a administração do servidor fosse melhor, mas vamos combinar, é um jogo independente feito por dois caras com pouquíssimos recursos. O projeto não é o ganha-pão deles e está longe de ser perfeito em vários quesitos (como por exemplo, compatibilidade de host, que é limitada, ping acima de 200 para muitos jogadores, sensibilidade com controles USB; até mesmo tiles que precisam de uma pequena correção quanto ao posicionamento ou código de colisão), então levando isso em consideração, tá bom demais!


Exemplo de mapa cooperativo sem muitas rotas de fuga: Suicídio na vida real, fórmula de risadas em Zombie Grinder
(principalmente com ping alto)

Colaborações! Ou quase isso...

Na Ásia, principalmente no Japão, bons servidores de bons jogos que rodam por lá vez ou outra fazem colaborações com outras marcas (podem variar de quests surpresas a cosméticos, decorações para casa, roupas, inimigos permanentes...) ou até revivem aspectos de títulos anteriores para agradar o público (como exemplo temos PHANTASY STAR ONLINE 2 e, mais recentemente, FINAL FANTASY XIV). Esse tipo de estratégia beneficia ambas as marcas em colaboração e ainda fazem um bom dinheiro. Zombie Grinder, além de homenagear o clássico Zombies Ate My Neighbors (lançado no começo da década de '90 para SNES e SEGA Genesis), ainda dá aos jogadores algo bem parecido com colaborações. A parte cosmética mais marcante são os hats (chapéus), que na loja são encontrados em várias formas, algumas bastante familiares: Hatsune Miku, Steve (Minecraft), Halo, Mario e até mesmo Link (The Legend of Zelda), conseguido ao final de uma dungeon aleatória cheia de armadilhas e claro, infestada de comedores de cérebro. É difícil acreditar que essas referências sejam legais de alguma forma, mas mesmo assim, é uma adição interessante e cativante.


Ôôôuuunnnn que fofo!!!

Até aqueles que se dizem os mais machos dos machos (que falam "Eae brô, limpeza, tudo firme, na moral mano? E as gata, cadê?") vão pensar isso ao se depararem com o estilo cute-cute de Zombie Grinder. É muito fácil encontrar jogos tributos que não apresentam nenhuma mudança gráfica relevante e podem ser motivo de chacota dos HD-lovers (aquelas pessoas que se dizem gamers, mas só jogam se o título tiver gráficos impecáveis, realistas e ai dos desenvolvedores se a renderização tiver um desfoque que seja!), mas ZG passa longe. As referências a ZAMN são facilmente identificáveis para quem já realmente jogou o clássico, porém são postas de forma sutil, apenas para despertar aquela faísca de nostalgia. O design dado pela dupla a seu carro chefe não poderia ser mais original e amigável com qualquer tipo de público, sendo impossível não parar ao menos para pensar "poxa, bem diferente e bem feito, parabéns pra eles". Claro, como apontei anteriormente, há alguns problemas de tiles mal posicionados e outros sem código de colisão, mas nada é perfeito (pelo menos não é como em PSO2, onde os inimigos podem literalmente entrar na parede e aí, cadê ponto fraco, cadê?), ainda mais quando só duas pessoas tomam conta do trem. E para finalizar o pacote, a trilha sonora 16 bits (que até hoje espero ser oficialmente lançada) é uma grande e suculenta cereja no topo da camada mais alta do bolo. As melodias podem sim cansar (quem nunca desligou o volume dos MMOs que joga porque as músicas já estavam muito batidas, né seus viciados?), mas ainda são divertidas, bem compostas, encaixam nos mapas e momentos certos e trazem certa nostalgia.


Imagem do lobby, adicionado numa atualização mais recente: Phantasy Star Online com base em Ragol e colônia de Pioneer 1 revivida por toxinas?
Não, isso é apenas eu nerdizando...

É, Zombie Grinder tem tudo para ser um sucesso ainda maior do que já é (não que seja muito grande, mas está vivo há algum tempo), porém a TwinDrills deveria seguir um mantra muito simples: EXPANDIR, ACRESCENTAR, TERCEIRIZAR! Com uma equipe maior, competente e um cuidado extra, os zumbis 2D cute-cute podem quebrar as barreiras do preconceito digital e serem lembrados no dia em que um apocalipse zumbi alcançar nossas ruas como um guia de sobrevivência básica. Regra número um: andem sempre em grupo e fiquem um perto dos outros para reviverem os fantasmas de seus colegas (literalmente)!

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