Escrito por: Gabriel Cavalcante

Antes de ser lançado, o reboot de Devil May Cry (feito pela Ninja Theory sob supervisão constante da Capcom) causou muita controvérsia entre os fãs (e até mesmo parte do staff da quadrologia original) principalmente por conta do novo visual de Dante. Apesar disso, muitos jogadores morderam a língua ao se aprofundarem nesse novo conceito da história dos filhos de Sparda e hoje DmC pode ser considerado um dos melhores títulos da franquia por diversos motivos. O jogador encarna um Dante aparentemente bastante jovem, imaturo e não tão bad boy quanto o original (segundo muitos e muitas fãs, nem tão sexy), que se torna alvo do demônio Mundus, auto-intitulado deus, por conta de seu poder nephilim (filho de um demônio e um anjo, nesse caso, Sparda e Eva). O protagonista é contatado por uma organização chamada The Order, liderada por seu irmão Vergil, e juntos embarcam numa perigosa missão para livrar o mundo da tirania de Mundus.


Devil May Cry de uma perspectiva ocidental

Foi essa a ideia da Capcom quando contrataram a Ninja Theory (visto que os primeiros foram construídos a partir de uma perspectiva completamente oriental), escolhida por conta de seu trabalho em Heavenly Sword. Apesar do sucesso dos primeiros quatro jogos, a equipe original decidiu reinventar o jogo a partir do ponto de vista ocidental em esperança que atraíssem um público ainda maior. Apesar da revolta com o novo Dante, o projeto continuou e resultou em 1.2 milhões de cópias vendidas (abaixo da primeira estimativa de 2 milhões). Sob constante supervisão da Capcom (que sim, colocou seu dedo no meio sem medo), o novo enredo é bastante maduro, se encaixando perfeitamente no mundo e dando tempo para que os personagens se expressem. A forma como a história flui é bastante suave e carregada de ação, porém diferente de muitos jogos do gênero que circulam por aí, a sobrecarga de batalhas não chega a parecer sem sentido. De fato, é fácil se empolgar a cada minuto não apenas por conta do ambiente, mas também pela trilha sonora. A escolha de um som mais pesado para Devil May Cry não é novidade alguma e as músicas das bandas Combichrist e Noisia se encaixaram como uma luva no universo pensado pela Ninja Theory. 



Limpe o caminho com estilo... e quanto estilo!

A velocidade do combate e a facilidade de criar combos é, provavelmente, o que chama mais atenção no quinto título da franquia. Os ranks de Devil May Cry sempre irritaram ou colocaram um sorriso na cara dos jogadores, além de deixar o jogo ainda mais bonito. Em DmC os sistemas se tornam mais simplificados em consideração também a novos jogadores, dando a noobs o essencial para tirarem tudo que o game tem a oferecer. A forma como o ranking funciona é bastante simples: você marca pontos de acordo com os golpes usados, aumentando o rank. Se repetir demais um golpe, o rank cai lentamente, enquanto que se receber dano, ele cai mais rápido. Os pontos são acumulados e adicionados a um modificador que dá pontos de upgrade, usados para comprar habilidades e abranger ainda mais a experiência em Limbo. A intenção da Capcom e da NT de tornar o reboot familiar para jogadores mais velhos e experientes deu bastante certo nesse quesito, levando com dignidade uma das maiores marcas da franquia a um outro nível. 


"Esse ~não é~ o Dante!"

E não é mesmo! Creio que todos tenhamos nos revoltado com o novo design do tão querido bad boy de cabelo branco. Alguns (eu) ainda esperavam que isso fosse explicado com o enredo, supondo que esse seria uma continuação, mas não teve jeito. Apesar de todo esse ódio pelo "moleque nada bad boy" (vou avacalhar, porque sei que muita gente disse isso no passado), a intenção da Capcom foi exatamente essa e deu bastante certo. Os primeiros games tinham uma sensação mais oriental a eles - a forma como a história era apresentada, a personalidade dos personagens e principalmente os designs, típicos da paixão japonesa pela Europa -, de forma que para alguns de nós ocidentais poderia parecer caricato. O novo design é realmente fiel a um produto ocidental, parecendo realista para nós não apenas em atmosfera, como também em gráficos. Os mapas apresentados são mais detalhados que os de Devil May Cry 4 especialmente por conta da ideia de que o próprio Limbo (o plano demoníaco) quer matar Dante. Além disso, os personagens e inimigos também receberam um tratamento mais que especial, dando a eles um toque mais realista e fazendo o jogador se identificar com conceitos mais ocidentais de humanos e demônios. (O boss Succubs, por exemplo: por meu conhecimento do mercado de games japoneses, eu esperava uma mulher simplesmente perfeita, semi-nua, sensual, mortal e para a qual Dante tivesse piadas prontas, mas ao invés disso, me deparei com algo enorme, grotesco, praguejando palavrões e que realmente aparentava ter mais de 200 anos)

"Meu nome é Dante." - "Hmm... Como você se sente sobre festas e ficar doidão?"
- "Eer... Quê?" - "Filho, estou decepcionado."

Drama, ação, romance, realismo, imersão e demônios realmente feios. No final das contas, apesar do novo Dante e sua personalidade-não-tão-avassaladora, DmC é um must play para qualquer fã do gênero e principalmente da franquia, especialmente por sua história e as belezas gráficas e sonoras que o compõem. Se você pode mas ainda não jogou, deixe de preconceito que vale a pena!

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  1. No fim, até que deu bastante certo. Vendeu dois milhões só no primeiro mês, e no fim vendeu 3 milhões de cópias no total! Fora as críticas positivas, foi o título que mais vendeu rapidamente! Ótima análise também, a sua. Acho que seria legal jogar esse game, um dia.

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