Escrito por: Lucas Simon


  Olá pessoas (é, eu sou novo por aqui). Comé que vão? Tranquilos em casa apreciando o inverno? Felizes mesmo tendo pesadelos por passar o dia inteiro jogando Fatal Frame? Pois é, eu estou assim, jogos de terror conseguem me trazer uma situação bem diferente do comum, eles fazem com que eu encare meus medos, me sentindo bem no final (mesmo que o protagonista seja estraçalhado ou algo do tipo). Mas, você já pensou como isso começou? Não o terror em si, mas o belo gênero que corre risco de extinção, o survival horror. Pois bem, senta que lá vem história.


  Tudo começou com um projeto ambicioso da Dynamix junto com a Eletronic Arts para o Commodore 64 chamado Project Firestart. Nele, a comunicação com a estação espacial Prometheus foi perdida e você foi o sortudo enviado para investigar. Aí você pensa que é só mais um daqueles shotters antigos baseados no Alien, mas, o jogo inovou por não te dar acesso a uma grande quantidade de  armas ou munição. O jogo não queria que você fosse mais um cara bombado genérico que mata tudo que vê pela frente, tanto que o primeiro combate só acontece depois de mais ou menos 15 minutos de jogo. Apesar da idéia ter sido inovadora, o jogo não conseguiu muito sucesso. O baixo número de vendas e as limitações do Commodore fizeram com que o jogo fosse de certa forma “esquecido” (muitos até dizem que ele nem chegou a ser a inspiração para outros jogos do gênero) e ele acabou não iniciando o gênero.


  E então chegou um jogo de computador lá de 1992, boa música, belos gráficos e uma história um quanto clichê, mas que causou calafrios em muita gente grande na época. Alone in The Dark se passava na mansão Derceto, cujo dono cometeu suicídio. Você controlava Edward (um detetive particular que foi enviado até a mansão) ou Emily (sobrinha do falecido proprietário da mansão). O jogo não colocava você no controle de um personagem totalmente preparado e armado até os dentes, mas sim alguém comum, que foi até a mansão à procura da verdade. Pela primeira vez você se sentia frágil e vulnerável. Alone in The Dark conseguiu o sucesso e é considerado o primeiro survival horror.



  Anos se passaram e duas sequências do jogo foram lançadas, juntas com mais jogos que embarcaram na onda, mas as pessoas queriam mais. Mais sangue, mais carnificina, mais terror, surgiu uma época onde nos jogos, o Slenderman podia ser considerado uma criancinha (ele ainda não mete medo em mim, mas enfim), onde o sangue em 64 bits rolava solto pela tela. Começava aí a era de ouro do survival horror. É aí que aparece Shinji Mikami e diz “ei, por que não zumbis?”. E assim surge Resident Evil, o jogo que foi responsável por popularizar de vez o gênero. Como vocês já devem saber o jogo se passava na mansão Spencer e você controlava um membro dos S.T.A.R.S. que foi enviado até a mansão á procura do esquadrão Bravo, que tinha ido até lá investigar os recentes casos de canibalismo na região. Mesmo controlando alguém com certo preparo, a munição ainda era escassa, os corredores da mansão eram estreitos e os zumbis eram muitos.

  Em 1999 surgiu Silent Hill, jogo que pegava a última peça que faltava para completar o gênero. Ao contrário de Resident Evil, que colocava você contra vários zumbis no que parecia uma guerra, Silent Hill apostava em um terror mais psicológico, o jogo não queria mostrar sempre uma poça de sangue e muito menos fazer você levar um susto a cada minuto, ele queria ir até o fundo e fazer você sentir a dor e o medo do personagem, fato que ficou ainda mais explicito nos jogos do PS2. No primeiro jogo da série, você controlava Harry Mason que estava de férias, indo para Silent Hill com sua filha Cheryl, porém no caminho ele bate o carro e desmaia. Ao acordar, sua filha não estava lá e ele parte em busca dela, descobrindo que a pacata cidade escondia muito mais do que aparentava. Notou algo? Novamente o personagem principal é colocado sem nenhum aviso em meio a uma situação que ele não estava nem um pouco preparado, conceito básico de todo survival horror, mas mesmo seguindo isso, ainda foi possível inovar e criar uma história incrível.

  Foi partir desses 3 que surgiram os inúmeros jogos e monstros que atormentam nossas vidas.  É impossível negar que Sillent Hill transformou o Piramyd Head em um símbolo de medo nos games, e que zumbis se tornaram infinitamente mais populares depois de Resident Evil (hoje em dia tem zumbi em todo lugar (TODO LUGAR!!!)). A fragilidade contra um número enorme de inimigos serviu de inspiração para muitos outros jogos, como Siren, Fatal Frame, Alan Wake e Dead Space.


   Porém, o tempo passou, os zumbis aumentaram e o Survival Horror tem começado a cambalear. Grandes empresas tentam “pegar mais leve” para atingir um público maior ou simplesmente insistem em histórias que já estão desgastadas demais, só para não perder uma franquia (eu até evitei jogar o Resident Evil 6 com medo de me decepcionar), além disso, a grande popularização de elementos que antes pertenciam somente ao terror também dificultam a criação de novos clássicos. Causar o mesmo medo que Silent Hill causava na época do seu lançamento é quase impossível, os jogos se tornaram previsíveis e é cada vez mais difícil apostar em uma nova proposta, visto que não é nada barato criar um jogo que pode dar errado. É como se os desenvolvedores tivessem perdido a coragem e criassem medo de suas próprias ideias, e quando você estava lá, pensando que as esperanças voltaram com o anúncio de que alguma produtora ia lançar algo grande, na verdade era só um reboot. Pois é, vai ser assim por uns anos.

  Apesar de tudo, o gênero ainda se mantem forte em jogos indie como Amnesia e até mesmo Slender, mostrando que ainda há esperanças. Alguns jogos fazem o terror voltar só como modinha, onde pessoas desafiam amigos a jogar só porque dizem que o jogo é aterrorizante, mas é aí que está a esperança (não só do terror, mas de quase tudo atualmente (sim, tudo grande é modinha)), muitos não querem mais sentir o medo na própria pele, mas sim ver o medo na face dos outros. Já cansei de ver canais no youtube especializados em gameplays de jogos de terror. Já fiz amigos jogarem só para ver a reação deles, coisa que já era normal na época do PS1, mas tem se tornado o grande triunfo daqueles que investem em uma ideia nova mas não tem dinheiro suficiente para propaganda, é igual a uma banda indie qualquer que faz um sucesso enorme só colocando um vídeo no youtube (sim, isso é óbvio, mas é oque tem acontecido com os jogos). O Kickstarter também pode ser usado como uma arma a favor dos games, visto que lá é possível ver se uma ideia é aceita pelos jogadores (tem até empresa grande usando). Os tempos mudam, as maneiras de fazer um jogo bombar também, e enquanto isso eu sigo querendo que lembrem do PC e que façam um Silent Hill que preste, mas isso é história para outro dia, eu já tomei muito de seu tempo com minhas opiniões que gostam de beirar o óbvio.

  Então caro leitor, pegue seu cobertor para espantar os monstros, chame uns amigos para não ter medo (ou pra terem medo juntos), ligue o console e vida longa ao survival horror!

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